China

Panama Papers. China diz que são “acusações infundadas”

O Governo chinês classificou hoje a operação "Papéis do Panamá" com sendo um conjunto de "acusações infundadas" e negou-se a responder.

O Governo chinês classificou hoje a operação “Papéis do Panamá” com sendo um conjunto de “acusações infundadas” e negou-se a responder se investigará cidadãos chineses donos de empresas ‘offshore’, entre os quais o cunhado do Presidente chinês, Xi Jinping.

“Sobre essas acusações infundadas não tenho nada a dizer”, afirmou hoje um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hong Lei, ao ser questionado sobre a maior investigação jornalística da história.

Dirigida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), aquela investigação abrange 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da firma de advogados panamiana Mossack Fonseca.

Especializada em esquemas de evasão fiscal e com uma carteira de clientes prestigiados, a Mossack Fonseca tem mais escritórios na China do que em qualquer outro país, segundo a sua página oficial na Internet.

Entre os familiares ou pessoas próximos de altos responsáveis chineses envolvidos figura Deng Jiagui, o marido da irmã mais velha de Xi.

Familiares de Zhao Gaoli e Liu Yunshan, atuais membros do Politburo do PCC, a cúpula do poder na China, ou o ex-primeiro-ministro Li Peng, fazem também parte da investigação realizada por uma centena de jornais.

Entretanto, o jornal oficial Global Times considerou hoje em editorial que “há uma força poderosa” por detrás dos documentos vazados, que têm “objetivos políticos fundamentais”.

“Os meios de comunicação ocidentais monopolizam a interpretação de cada vez que há uma fuga de informação, e Washington tem demonstrado ter particular influência”, acusa o jornal.

Sem nunca referir o envolvimento de líderes chineses, o Global Times diz que “qualquer informação que seja negativa para os Estados Unidos da América pode sempre ser minimizada”.

Já nos restantes órgãos de comunicação, ou nas redes sociais chinesas, as referências à operação são escassas, enquanto a transmissão de canais de televisão estrangeiros no país, como a estação britânica BBC, é interrompida de cada vez que o caso é mencionado.

A Mossack Fonseca mantém escritórios nas cidades chineses de Xangai e Shenzhen – dois centros financeiros do país -, as cidades portuárias de Qingdao e Dalian, e as cidades Jinan, Hangzhou e Ningbo.

Os documentos, inicialmente conseguidos pelo diário alemão Suddeutsche Zeitung no início do ano passado, foram em seguida divididos pelo ICIJ entre 370 jornalistas de mais de 70 países.

 

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