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Paquete Funchal vendido a grupo hoteleiro por 3,9 milhões

Paquete Funchal. Fotografia: D.R.
Paquete Funchal. Fotografia: D.R.

O leilão começou nos 2,3 milhões e foram recebidas quatro ofertas. O paquete acabou por ser vendido ao grupo hoteleiro britânico Signature Living.

O navio Funchal foi esta quarta-feira vendido em hasta pública ao grupo hoteleiro britânico Signature Living por 3,910 milhões de euros, após uma disputa renhida com um consórcio luso-francês.

O leilão tinha um valor inicial de 2,3 milhões de euros e foram recebidas quatro ofertas, acabando por ficar na posse dos britânicos da Signature Living que não quiseram dar detalhes sobre as suas intenções para o histórico paquete Funchal.

O representante do grupo, que esteve esta quarta-feira na hasta pública que decorreu a bordo do navio, que está atracado no Cais da Matinha, em Lisboa, declarou apenas que o Funchal vai ser levado para Inglaterra e que esta é a primeira embarcação adquirida pela Signature Living.

O Funchal era um dos quatro navios adquiridos pelo empresário Rui Alegre para um negócio de cruzeiros, financiado pela Caixa Económica Montepio Geral com um crédito de quase 150 milhões de euros, que recebeu como garantia apenas 40% desse valor. Segundo uma investigação da SIC, o dinheiro terá sido atribuído através de 14 sociedades pertencentes a Rui Alegre e utilizado parcialmente para amortizar empréstimos de outras instituições de crédito, salários e automóveis ao empresário.

O paquete Funchal recebeu quatro propostas de aquisição: uma de um grupo turco, que adquiriu também os navios Porto e Lisboa, que serão desmantelados para sucata e outras duas de dois consórcios, um luso-brasileiro e outro luso-francês que no decurso da hasta pública chegaram a entrar em conversações para derrotar os britânicos da Signature Living.

Lucas Soulard Djouadi, um dos cinco investidores luso-franceses, apresentou o consórcio como um grupo de empreendedores culturais que desenvolvem projetos em toda a Europa, investindo em “espaços com história” como a La Belle Villoise, em Paris.

“Temos interesse neste navio pela história que tem e o passado que teve. Queremos dar-lhe um novo futuro”, disse.

Segundo o investidor o objetivo era manter o Funchal atracado na Matinha e convertê-lo num espaço de lazer, com hotel, restaurantes e bares, reabrindo-o aos lisboetas. “Seria uma nova forma de viagem”, adiantou, explicando que o consórcio chegou a pensar retomar a navegação, mas desistiu da ideia “por ser demasiado complicado em termos técnicos”.

A hasta pública começou às 15:00, com a apresentação das propostas e um valor base de licitação que começou nos 2,3 milhões de euros. Só terminou quase duas horas e meia com a desistência do consórcio luso-francês depois de ser ultrapassada a fasquia dos 3,9 milhões de euros após uma sucessão de lances de 10 mil euros.

“Podia oferecer mais”, disse à Lusa o representante da Signature Living questionado sobre se o valor pago pelo navio seria demasiado alto.

O leilão decorreu na sala de espetáculos do navio, o ‘lounge’ Ilha Verde, que apresenta ainda os tetos espelhados com luzes coloridas e a decoração sofisticada da última viagem do Funchal, a passagem de ano de 2014, que foi celebrada na Madeira.

Este ‘lounge’, com 300 lugares sentados, era apenas um dos salões deste navio preparado para receber 598 passageiros e 189 tripulantes.

O Funchal foi construído pela Empresa Insulana de Navegação e fez a sua viagem inaugural em 1961.

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