Paraísos fiscais: Como e quem esconde o dinheiro dos super-ricos

1000 nomes ligas a offshores revelados

Os resultados são esmagadores. Segundo um relatório de 2012 denominado «O preço das off-shores» (leia o original aqui), os super-ricos detêm cerca de 21 biliões de dólares escondidos em paraísos fiscais, o que iguala o valor das economias norte-americana e japonesa juntas. E mesmo assim, o relatório diz que estes números são conservadores. Saiba como e onde se esconde tamanha fortuna.

– No final de 2010, os 50 maiores bancos privados do mundo tinham em conjunto 12,1 biliões de dólares em off-shores. Em 2005, este valor era de 5,4 biliões, o que representa um crescimento anual superior a 16%.

-Os três bancos que mais dinheiro fazem circular desta forma são o UBS, o Credit Suisse e o Goldman Sachs. Os dez primeiros da lista controlam cerca de metade do dinheiro do top 50.

– O número de super-ricos que acumulou uma fortuna de 21 biliões de dólares em off-shores é inferior a 10 milhões. Destes, menos de 100 mil detêm 9,8 biliões em paraísos fiscais.

-Se estes valores entre os 21 e os 31 biliões de dólares, uma estimativa conservadora, tivesse um juro de 3% e esse lucro fosse taxado a apenas 30%, tal iria representar receitas fiscais entre os 190 e os 280 mil milhões de dólares.

Para James S. Henry, o principal responsável por este relatório, há um imenso buraco negro na economia mundial que nunca foi medido, designadamente a riqueza acumulada em off-shores e o valor que ela representa em lucros não sujeitos a impostos. “Usando diferentes métodos independentes conseguimos triangular a dimensão deste buraco negro. E mesmo descontando a margem de erro, os resultados são alucinantes”, diz James S. Henry. Porquê?

– O sector das off-shores é grande o suficiente para haver diferenças significativas nas unidades de medida convencionais. Como a esmagadora maioria da riqueza pertence a uma pequena elite, o impacto é brutal.

– O que se perde em impostos, segundo a estimativa do relatório, é gigantesco o suficiente para fazer uma diferença significativa nas finanças de muitos países, em especial aqueles em vias de desenvolvimento.

– Estas off-shores são construídas e geridas não por bancos sem nome localizados em ilhas estranhas, mas sim pelas maiores instituições financeiras mundiais ou escritórios de advogados, com sedes em cidades como Londres, Nova Iorque ou Genebra. Os líderes destes bancos são, muitas vezes, os mesmos que participaram de forma ativa nos processos de resgate financeiro de alguns países.

– De acordo com o relatório é ainda “escandaloso” que instituições oficiais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a OCDE ou o G20, assim como vários bancos centrais, dediquem tão poucos recursos à investigação deste sector, sendo que dispõem atualmente de grande parte da informação necessária para poderem atuar.

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