Catalunha

Todos os desenvolvimentos sobre: Catalunha aprova declaração de independência

Com 70 votos a favor, o Parlamento regional da Catalunha aprovou a declaração unilateral de independência sobre Espanha. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, dissolveu o parlamento catalão e anunciou eleições regionais na Catalunha para 21 de dezembro.

O projeto de declaração unilateral de independência foi aprovado por 70 votos a favor, 10 contra e dois em branco, num órgão composto por um total de 135 deputados. Os representantes do PSOE, PP e Ciudadanos abandonaram a câmara, em protesto, antes da votação.

“Assumimos o mandato do povo da Catalunha, expressado no referendo sobre a autodeterminação em 01 de outubro e declaramos que a Catalunha se torna um estado independente em forma de República”, refere literalmente o texto aprovado.

Puigdemont apela à “paz, civismo e dignidade”

O presidente do governo regional da Catalunha (Generalitat), Carles Puigdemont, pediu aos catalães que deem mostras de “paz, civismo e dignidade”, após a declaração de independência aprovada pelo parlamento regional (Parlament).

Na primeira intervenção pública após a votação, Puigdemont falou aos milhares de catalães que acompanharam a votação no parque da Ciudadela, em Barcelona, para insistir na legitimidade do processo separatista.

“Como sempre foi e sempre será”, são as instituições e os cidadãos que, “em conjunto, de forma inseparável, constroem o povo e a sociedade”, disse.

“Nos dias que se seguem, temos de manter os nossos valores de pacifismo e dignidade. Está nas nossas, nas vossas mãos, construir a república”, afirmou.

Carles Puigdemont disse ainda que, com a votação de hoje, o parlamento regional “cumpriu um passo há muito desejado” e “culminou o mandato das urnas”, referindo-se ao referendo sobre a independência de 01 de outubro.

No mesmo tom, o “número dois” do governo regional, Oriol Junqueras, pediu “responsabilidade, humildade e generosidade” aos cidadãos “da república” que hoje “transbordam de alegria” e “confiança” àqueles que possam ter “alguma razão para inquietude ou preocupação”.

“Atuamos de boa-fé, com respeito e estima”, disse Junqueras, que falava lado a lado com Puigdemont.

As reações no Parlamento regional

Antes do início da votação, os deputados dos partidos mais importantes que defendem a continuação da união com Espanha, em minoria, abandonaram a assembleia, deixando algumas bandeiras de Espanha nos lugares que antes ocupavam.

Os deputados independentistas, assim como a assistência que ocupava os lugares para o público, cantaram o hino da Catalunha logo a seguir à votação.

Os parlamentares independentistas cumprimentaram-se, sorridentes, depois da aprovação da declaração de independência, mas sem a euforia que um momento tão importante levaria a pensar.

O parlamento regional aprovou a independência da região antes de o Senado espanhol em Madrid, ainda esta tarde, chegar a um acordo que deverá permitir ao Governo central intervir na Catalunha para restabelecer a “legalidade Institucional.

O projeto de independência prevê a redação de uma Constituição para a nova República e a abertura de negociações “em pé de igualdade” com o Governo espanhol com o objetivo de iniciar um novo período de cooperação entre as duas partes.

O Governo espanhol deverá ainda hoje ou na manhã de sábado tomar as primeiras medidas para a destituir o executivo catalão, controlar a polícia regional (Mossos d’Esquadra) e a administração pública, antes da realização de eleições regionais num prazo de seis meses.

Rajoy dissolve parlamento catalão e anuncia eleições

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, dissolveu o parlamento catalão e anunciou eleições na Catalunha para 21 de dezembro.

O anúncio surgiu após duas reuniões do Conselho de Ministros, uma delas extraordinária, para aprovar a aplicação das medidas acordadas para a Catalunha no âmbito do artigo 155.º.

Na reunião extraordinária foram aprovadas as medidas previstas para restabelecer a ordem constitucional.

Bancos catalães acentuam descida na bolsa de Madrid

Os bancos Sabadell e CaixaBank, de origem catalã, acentuaram hoje as suas quedas na bolsa de Madrid depois da proclamação da independência da Catalunha pelo parlamento regional.

Às 15:26 (hora de Lisboa), o Sabadell descia 5,15% e o CaixaBank, que controla o BPI, baixava 4,16%.

Os dois bancos catalães anunciaram no início de outubro a saída das suas sedes da Catalunha para outras regiões espanholas, dias depois do referendo sobre a independência catalã.

O banco Santander, primeiro banco da zona euro, recuava 2,15%, numa altura em que o Ibex-35, principal índice da bolsa espanhola descia 1,62%.

Milhares de pessoas comemoram a proclamação de independência

Várias dezenas de milhares de manifestantes separatistas, que estão no exterior do parque de estacionamento do parlamento catalão, em Barcelona, saudaram com alegria o anúncio da proclamação da República Catalã na tarde de hoje, constatou a agência de notícias AFP.

Com aplausos e gritos de “independência” em catalão, os apoiantes da independência da Catalunha – que vão da extrema-esquerda ao centro-direita – cantaram fervorosamente o hino catalão, a maioria com o punho levantado.

(Em atualização)

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