Parlamento Europeu aprova "hambúrgueres vegetarianos"

Proposta de alteração aos regulamentos da PAC foi chumbada e poderão vir a ser aceites designações como salsichas ou bifes para produtos que apenas incorporem vegetais

O Parlamento Europeu aprovou nesta sexta-feira a possibilidade de continuarem a ser usadas expressões como hambúrgueres, salsichas ou bifes vegetarianos, apesar de não conterem carne na sua composição.

O resultado da votação foi bem acolhido, nomeadamente, junto de representantes dos consumidores, mas o Conselho Europeu ainda poderá tentar evitar esta mudança na negociação que se inicia com o Parlamento Europeu sobre a Política Agrícola Comum (PAC).

No Parlamento Europeu, estavam em cima da mesa duas alterações aos regulamentos e ambas foram rejeitadas. No essencial, estava em causa o uso de nomes relativos à carne e aos termos e denominações de venda para designar carnes, pedaços de carne e produtos cárneos poderem ser "reservados exclusivamente para as partes comestíveis de animais e produtos que contenham carne". Como exemplo, o texto citava hambúrgueres, bifes, salsichas ou bifes.

O assunto já tinha gerado preocupação junto do setor agroalimentar, que estimava "prejuízos" caso tivesse de mudar a rotulagem de produtos por, em sua opinião, já terem designações consolidadas junto do consumidor.

Nesse, sentido, várias associações e empresas portuguesas chegaram e enviar uma carta aos eurodeputados portugueses, apelando a um voto contra as alterações que estavam em debate.

Nesta sexta-feira, depois de conhecida a votação dos eurodeputados, Camille Perrin, da organização de consumidores BEUC, comentou: "É uma boa notícia que o Parlamento Europeu tenha usado de bom senso e dito não à proibição dos hambúrgueres vegetarianos".

Um dos eurodeputados portugueses que se pronunciaram sobre o resultado da votação foi Francisco Guerreiro, afirmando que a rejeição da emenda é "uma demonstração da força da sociedade civil quando é inserida no debate político. E o que vemos é, apesar da emenda não ter passado, portanto, uma vitória para o senso comum". Mesmo assim, o político tenciona votar contra a reforma da PAC, por considerar que o pacote geral é "negativo".

Nesta semana, os ministros da Agricultura da União Europeia chegaram a acordo sobre a reforma da PAC que vai agora ser negociada com os eurodeputados. São 387 mil milhões de euros para sete anos, a maior rubrica orçamental da UE, que será repartida pelos 27 Estados-membros.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de