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Europeus travam nacionalistas mas deixam Parlamento Europeu fragmentado

Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
REUTERS/Vincent Kessler
Parlamento Europeu, em Estrasburgo. REUTERS/Vincent Kessler

A nível europeu, foi a maior afluência às urnas dos últimos 20 anos. Verdes assumem-se como quarta força política

Apesar dos elevados valores de abstenção em Portugal, perto dos 69%, o resto da Europa registou uma afluente ida às urnas. Os europeus souberam reconhecer que esta podia ser uma das mais importantes eleições europeias de sempre – devido à iminência do Brexit e à ascensão cada vez mais proeminente de partidos ultraconservadores, – e registaram uma taxa de participação de 50,5% na votação, a mais alta dos últimos 20 anos.

A resposta dos 400 milhões de eleitores registados chegou para travar uma temida presença expressiva dos nacionalistas e eurocéticos no Parlamento Europeu – tendo os partidos de centro recolhido a maioria dos votos, – contudo a distribuição dos 751 assentos na instituição ficou mais fragmentada.

Apesar do PPE (onde se inscrevem PSD e CDS) ter mantido a liderança, com 178 lugares, perdeu 39 postos. Também o S&D (a família política do PS) se manteve na segunda posição, com 152 eurodeputados, mas perdendo 35 em relação à anterior votação. Juntos, os dois países não conseguem atingir a maioria parlamentar.

Por outro lado, os números oficiais indicam que o ALDE (do BE) aumentou 40 lugares, fixando o seu número final nos 108 e – uma das surpresas da noite, – os Verdes (onde provavelmente ficará o PAN) assumiram-se como a quarta força política do Parlamento Europeu, tendo a expressiva votação que recolheram sido justificada pelo aumento da consciencialização dos eleitores em relação à crise das alterações climáticas.

Por países, a extrema-direita venceu em França, Itália, Hungria e Polónia. Os partidos moderados saíram-se vencedores na maioria dos restantes Estados-membros, com destaque para a Espanha e a Hungria. Foi na Alemanha que os Verdes conseguiram o maior destaque. No Reino Unido, na iminência da saída da União Europeia, venceram os eurocéticos do Brexit, encabeçados por Nigel Farage que anteriormente respondia pelo UKIP.

Finda a eleição, a máquina europeia não pára. Os partidos vão organizar-se e debater coligações e alianças para os próximos anos, enquanto Bruxelas vira os holofotes para as eleições seguintes: as dos presidentes da Comissão e do Conselho, numa votação que será feita ao nível dos líderes dos Estados-membros e dos partidos com assento parlamentar, já sem consulta popular.

A sucessão para o cargo de Jean Claude Juncker, na liderança da Comissão Europeia, é a que está a ser seguida com mais atenção. De entre os candidatos encontram-se Manfred Weber (cabeça de lista do PPE), Frans Timmermans (do S&D) e Margrethe Vestager (da ALDE).

 

 

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