Energia

Partex. António Costa Silva confirma venda aos chineses

António Costa e Silva, presidente da Partex
António Costa e Silva, presidente da Partex

O presidente da Partex já está em "contacto profundo com o novo acionista" chinês: "Acho que há uma grande probabilidade de se concretizar" a venda.

António Costa Silva, presidente da Partex, a petrolífera da Fundação Calouste Gulbenkian, confirmou a venda da empresa ao Grupo CEFC China Energy. O negócio pode ascender a 500 milhões de euros. “A negociação, complexa, está a decorrer. Nesta altura estão-se a discutir os termos do acordo. Acho que há uma grande probabilidade de se concretizar”, disse António Costa Silva em entrevista ao jornal Público, garantindo já estar em “contacto profundo com o novo acionista” chinês.

“É uma companhia chinesa, um grande conglomerado, que começou na parte do downstream, na refinação, terminais, logística. Recentemente entraram no upstream [exploração e produção], no Médio Oriente, na Rússia, e elegeram a Partex como uma espécie de plataforma para investimentos no upstream, globalmente, onde eles não têm muitas valências e querem potenciar o valor da companhia nessa base”, explicou ainda o presidente da Partex, que, segundo dados preliminares avançados pelo Público, subiu as vendas para 320 milhões de dólares e o resultado líquido para 67 milhões.

Com um mandato que terminava em 2019, com o accionista atual da Partex, António Costa Silva garante que não gosta “de abandonar os barcos a meio” e que os compradores chineses “mais do que os activos, estão interessados na equipa da Partex, que tem grande influência, sobretudo no Médio Oriente”. “Têm uma visão muito clara, de transformar a Partex numa plataforma global”, diz o presidente da empresa, acrescentando ainda: “Vamos começar um novo ciclo, é uma espécie de renascimento da companhia”.

Com o novo comprador chinês, accionista também do gigante russo Rosneft, tendo entrado em mercados como Abu Dhabi, a empresa terá capacidade para chegar a novas geografias (como Moçambique, por exemplo) e ainda voltar às energias renováveis, refere ainda António Costa Silva na entrevista ao Público.

Caso o acordo de compra seja fechado este será o segundo grande negócio da CEFC em Portugal, depois de em novembro de 2017 terem comprado uma posição maioritária na companhia de seguros Lusitânia, detida pelo Montepio. A compra aguarda ainda a autorização por parte do regulador. Com este negócio, a Fundação Calouste Gulbenkian (que perdeu 22% de património entre 2006 e 2016) poderá lucrar 500 milhões de euros com a venda da Partex aos chineses. O equivalente à “alienação dos investimentos nos combustíveis fósseis, que representaram 18% dos ativos em 2017”.

O encaixe financeiro obtido com esta venda será reinvestido noutros ativos. As participações da fundação em empresas dedicadas à exploração e produção de petróleo e gás, reunidas na Partex, totalizavam 495 milhões de euros em 2016, somadas a uma carteira de ativos financeiros na ordem dos 2.247 milhões de euros.

A Fundação Calouste Gulbenkian confirmou já que recebeu uma oferta de compra para a petrolífera Partex, estando “neste momento em processo de negociações com o grupo interessado”. Em comunicado, a Fundação reiterou que “tem vindo a equacionar a alienação dos investimentos nos combustíveis fósseis (que representaram cerca de 18% dos ativos em 2017), tendo em conta uma nova matriz energética e os seus objetivos em prol da sustentabilidade, na linha do movimento internacional seguido por outras fundações”.

A Fundação Calouste Gulbenkian detém 100% do capital da Partex, empresa que é liderada por António Costa Silva. A Partex foi fundada em 1938, por Calouste Gulbenkian.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ministro das Finanças, Mário Centeno MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Orçamento pode trazer novo alívio de 200 milhões de euros no IRS

Ponte 25 de Abril

Atrasos no concurso não comprometem arranque das obras na Ponte 25 de Abril

LEONARDO NEGRAO /Global Imagens

Grupo português investe 80 milhões na compra da Toys “R” Us Iberia

Outros conteúdos GMG
Partex. António Costa Silva confirma venda aos chineses