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Passos Coelho: “Portugal está a voltar a desequilíbrios externos”

Pedro Passos Coelho
Pedro Passos Coelho

Num encontro do projeto Exportadoras Outstanding, o ex-governante mostrou-se preocupado com fragilidade do país.

Depois de se ter conseguido inverter um ciclo “extremamente negativo” de 50 anos, o país está a voltar a uma situação de grande fragilidade, avisou hoje o ex-primeiro-ministro. No âmbito do workshop do projeto Exportadoras Outstanding, que aconteceu hoje em Leiria e contou ainda com os contributos de Pedro Ferraz da Costa (presidente do Fórum para a Competitividade), de Luís Castro Almeida (administrador do BBVA), de Vítor Bento e das empresas parceiras do projeto, Pedro Passos Coelho alertou mesmo: “Estamos em véspera de regressar a um desequilíbrio externo em Portugal”.

Numa intervenção dedicada aos efeitos das Europeias para as empresas, que abriu o segundo workshop do projeto, o economista e ex-governante alertou para a necessidade de existir uma alternativa “plural e não monocromática” para combater o populismo. E lembrou que um dos principais problemas que vão constranger a atividade económica nos próximos tempos é a incerteza ligada ao brexit. “O Reino Unido é, por definição, um país que luta pela simplificação e regras mais claras, nesse sentido preocupa-me a saída do Reino Unido da União Europeia”, disse, uma opinião apoiada por Ferraz da Costa, que defendeu a necessidade de reforçar o que é positivo, ” uma estabilidade na União Europeia, ao contrário de se alimentar um clima de guerra constante que não beneficia ninguém”.

Ciclos negativos voltam a ser ameaça

“A partir de 2013, conseguimos interromper ciclos extremamente negativos de balança corrente com um défice que, na primeira década do euro, praticamente duplicaram a dívida externa da economia portuguesa. Temos conseguido uma posição de funcionamento líquido positivo do ponto de vista da situação económica, mas projeções feitas pelo Banco de Portugal apontam para que, a partir de 2020, se não já neste ano, regressemos aos défices da balança corrente”, lamentou Pedro Passos Coelho no mesmo evento, adiantando que a capacidade que o país tinha de “poder conduzir um desendividamento de toda a economia a um ritmo mais significativo está à beira de se perder”.

Considerando que as contas certas de Centeno e Costa são uma ilusão e que a situação estrutural da economia portuguesa se mantém “frágil e vulnerável”, o economista e ex-governante defende que as exportações também não estão a viver um bom momento. “Há umas visões mais otimistas que dizem que é por causa do investimento que isso vai acontecer e, portanto, é temporário, mas a produtividade está a cair mais do que a dos nossos parceiros comerciais e assim será muito difícil ganharmos mais quota de mercado no médio prazo ou longo prazo”, antecipa. E lamenta que Portugal tenha passado ao lado da oportunidade oferecida pela política monetária do BCE e pelo crescimento mais acelerado da Europa. “Para o país, isso foi praticamente dois terços da consolidação orçamental, não tendo sido devidamente aproveitado quer para fazer reformas estruturais quer para encontrar mais espaço orçamental e reduzir os risco financeiros de potenciais crises futuras.”

Políticas públicas desadequadas?

Outro problema destacado no workshop e considerado impeditivo de maior evolução foram as políticas públicas. “Fica a ideia de que o país tem uma agenda totalmente oposta à europeia, que vai no sentido das empresas crescerem e ganharem dimensão”, lamentou Luís Castro e Almeida. “Em Portugal ainda achamos que as PME são aquelas empresas que fixam o emprego, por isso a maioria das políticas estão dirigidas para isso”, concordou o ex-primeiro-ministro, defendendo que se devia apostar mais nos trabalhadores do que no emprego, “ou seja, permitir a evolução e valorização das pessoas” por oposição à obsessão com o emprego, que “torna o sistema mais lento, pesado e menos capaz”. “Há que trabalhar em soluções que ajudem as empresas a ganhar escala”, concluiu.

No mesmo sentido, Pedro Ferraz da Costa apontou ainda a questão da disponibilidade de mão-de-obra, sobretudo (mas não só) no que respeita a quadros altamente qualificados em Portugal, apontando a educação como caminho. “Empurrar os alunos menos bons para um sistema de ensino profissional é uma forma errada de ingresso, à partida, que vai debilitar a qualidade desse tipo de ensino. O modelo de educação e formação deve ser revisto e melhorado”, defendeu.

Por seu lado, o e economista Vítor Bento alertou para o atual mundo tecnológico “dominado pelos EUA” e para a incapacidade da Europa de “criar uma alternativa”.

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