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Passos responsabiliza Governo por “radicalismo”

Fotografia: Hugo Delgado / LUSA
Fotografia: Hugo Delgado / LUSA

O presidente do PSD acusa o Governo de ter cortado "todos os laços de diálogo com a oposição"

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, responsabilizou esta sexta-feira o atual Governo pelo radicalismo na vida política e vaticinou que ele não desaparecerá com a eleição do seu sucessor, seja ele quem for.

“Em Portugal vivemos um estado na política em que o Governo que está instituído com o apoio maioritário do parlamento simplesmente cortou todos os laços de diálogo com a oposição”, acusou Passos Coelho, no final de uma visita à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em Lisboa, questionado sobre declarações do primeiro-ministro que disse acreditar que o diálogo vai melhorar com a futura liderança do PSD.

O ainda presidente dos sociais-democratas — o novo líder será escolhido em 13 de janeiro e apresentaram-se como candidatos Pedro Santana Lopes e Rui Rio — escusou-se a comentar diretamente a entrevista de António Costa, mas acusou a atual maioria de praticar uma “política de terra queimada” em que rejeita todas as iniciativas de PSD e CDS-PP.

“Isto tem vindo a criar ao longo destes anos um radicalismo que dificilmente desaparecerá, qualquer que seja o líder do PSD que venha a ser escolhido, porque resulta não da indisponibilidade do PSD para construir o futuro, mas de o Governo ter elegido PSD e CDS como uma espécie de forças de mal de quem não se pode aprovar coisa nenhuma”, lamentou.

Ainda assim, disse, “o PSD nunca amuou” e tem feito o seu papel, apresentando propostas porque, se assim não for, serão os portugueses a pagar o preço no futuro.

“Hoje vemos um Governo colecionando benefícios de um esforço que foi feito no passado e da conjuntura e uma retórica mais preocupada em justificar o seu próprio comportamento no passado e continuar a atacar um governo que já não existe há mais de dois anos”, criticou.

Questionado sobre os argumentos do PSD para votar contra o Orçamento do Estado para o próximo ano, Passos Coelho reiterou que o documento “não é muito diferente” dos primeiros dois orçamentos do Governo minoritário do PS.

“Revela que o Estado não está a olhar para o futuro, apenas para o dia a dia, para o ano corrente, extraindo benefícios da conjuntura mais favorável e dos esforços do passado, mas sem fazer a consolidação que o Estado continua a necessitar de fazer”, lamentou.

O líder do PSD voltou a alertar que o desagravamento do défice não está a ser feito de forma estrutural, mas “à boleia das circunstâncias”, que “são voláteis”.

“Estamos a fazer do investimento público a variável de ajustamento orçamental”, criticou Passos Coelho, reiterando que são os cortes nas políticas públicas que permitem ao Governo fazer o discurso “do milagre das rosas e de que a austeridade acabou”.

Em entrevista à Antena 1, António Costa critica duramente a atuação das atuais direções do PSD e do CDS-PP, mas manifesta-se convicto que a relação entre o Governo e maior partido da oposição vai “seguramente” melhorar após a eleição do novo líder social-democrata, em janeiro.

Na perspetiva de António Costa, “vai finalmente poder-se falar com normalidade com o maior partido da oposição”.

“Na minha conceção da vida democrática é essencial que haja uma maioria, que é constituída com os partidos com quem temos um compromisso. Mas, há muitas matérias em que é preciso ter um diálogo normal com o maior partido da oposição – e com a atual direção do PSD é manifestamente impossível”, sustenta.

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