Passos: “Se isto corre bem ou mal depende da vontade coletiva”

Passos Coelho
Passos Coelho

O primeiro-ministro dramatizou hoje a importância da disponibilidade dos portugueses para prosseguirem o “esforço de ajustamento” da economia portuguesa, afirmando que “se isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal” depende muito da vontade coletiva.

Durante um almoço conferência sobre desenvolvimento sustentável, no Centro de Congressos do Estoril, Pedro Passos Coelho defendeu que Portugal está “no sentido correto”, mas questionou se existe “a vontade suficiente e a consciência necessária para continuar este processo daqui para a frente ou não”.

“Quanto ao nível de vontade coletiva e de consciência coletiva do que temos de fazer daqui para a frente, a mim cabe-me fazer alguma pedagogia, dar algumas pistas de reflexão, mas sois vós, no conjunto, é a sociedade que tem de se manifestar quanto a isso. Saber se daqui para a frente isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal depende muito da nossa vontade coletiva e da consciência que temos dos problemas”, afirmou.

Passos Coelho apontou como um erro a ideia de que “o processo de ajustamento pode ser aliviado ao cabo de um ano ou de um ano e meio” porque Portugal tem sido “bem sucedido” na “uma correção dos desequilíbrios” e tem tido “uma avaliação positiva” dos seus credores e parceiros externos.

“Julgo que as pessoas de um modo geral em Portugal o apreenderam de uma forma abrupta. É importante saber se queremos ultrapassar essas dificuldades, durante um processo de ajustamento que é longo e que é difícil, ou se vamos desistir às primeiras dificuldades”, acrescentou.

O primeiro-ministro apelou à persistência dos portugueses: “Temos nós de mostrar que estamos mentalizados de que uma dívida como aquela que foi gerada e um desequilíbrio tão grande nas políticas públicas e também no endividamento privado que se registou nos últimos anos em Portugal não demora um ano a ser corrigido, demora mais, e exige um esforço maior do que aquele que desempenhámos até hoje”.

Passos Coelho sustentou que a “determinação” dos portugueses é essencial para que a perceção externa de Portugal se mantenha positiva e que o país pagará caro se for colocado “do lado dos problemas a resolver” na agenda europeia.

“Naturalmente, se não a nossa perceção interna e a nossa vontade não for esta, dificilmente quem vê de fora ficará com melhor impressão e quererá ajudar mais. Isso depende de nós, estritamente de nós”, reforçou.

O primeiro-ministro defendeu que “sem finanças públicas organizadas não há sequer crescimento” e que “há muitas outras transformações importantes” em curso que, porém, “demoram o seu tempo” a produzir efeitos.

Passos Coelho observou que “muitos gostam de usar aquela imagem da luz ao fundo do túnel”, mas que não é possível “ter elementos imediatos que digam às pessoas: a economia está a crescer, os empregos estão a ser criados, os bancos estão a colocar mais crédito na economia e, portanto, temos razões para estar satisfeitos”.

“Ainda não chegámos lá”, acrescentou, insistindo o resultado final está “nas mãos” de todos os portugueses.

Contudo, de acordo com Passos Coelho, “há desequilíbrios que eram extremamente graves na economia portuguesa que têm vibdo a corrigir a uma velocidade muito grande, com custos”.

No seu entender, “o setor mais protegido da economia, que está menos exposto à competição externa, é aquele que tem estado a ajustar mais rapidamente” e isso explica o atual nível de desemprego: “Porque ainda não o conseguimos absorver nas áreas mais competitivas e mais abertas ao exterior, mas é para lá que nos queremos dirigir”.

“O que nós queríamos justamente era sair de uma economia mais fechada, ineficiente, que já não garantia o emprego, nem o nível de crescimento, para uma economia mais aberta, mais competitiva, em que as decisões dos consumidores e dos contribuintes sejam afetadas, não pela ilusão de que se está a crescer e de que tudo está bem, mas pela evidência de que houve custos pelos erros que foram cometidos, e que não devem voltar a ser cometidos”, afirmou.

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