Energia

Pasta da energia passa para o socialista João Galamba

Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens
Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens

Contactado pelo Dinheiro Vivo, o ministério do Ambiente recusou comentar os nomes que estão a ser avançados para a pasta da energia.

De acordo com a SIC Notícias, João Galamba é o nome apontado para substituir Jorge Seguro Sanches no cargo de secretário de Estado da Energia, depois da passagem desta pasta para a tutela do ministério do Ambiente. O Observador também já confirmou a notícia.

A posse dos novos secretários de Estado, que serão entretanto nomeados, está marcada para quarta-feira, pelas 11h00, no Palácio de Belém.

Contactado pelo Dinheiro Vivo, o ministério do Ambiente recusou comentar os nomes que estão a ser avançados para a pasta da Energia. Fontes ouvidas pelo Dinheiro Vivo referem que não será o facto da secretaria de Estado da Energia mudar de ministério que fará a maior diferença nas políticas para o setor energético, até porque esta é uma mudança que já aconteceu na legislatura anterior, quando o secretário de Estado Artur Trindade também transitou da Economia para o Ambiente.

A diferença agora é que o atual secretário de Estado, Seguro Sanches, não será reconduzido. A notícia apanhou todos de surpresa no ministério da Economia, incluindo o próprio secretário de Estado, que chegou a admitir diversas vezes não ter receio de ser afastado antes do final do mandato pelas decisões “incómodas” para a EDP. O Dinheiro Vivo sabe que, até à semana passada, Seguro Sanches continuava no seu gabinete a trabalhar ativamente para preparar as políticas de energia para o Orçamento do Estado de 2019.

“Não entendo que seja um braço de ferro [com a EDP]. Quando iniciei estas funções não estava à espera de tomar medidas mais populares ou mais simpáticas. Estou aqui com objetivo de tomas as medidas que são justas e legalmente exigíveis. O relacionamento com todas as empresas do setor tem-se pautado pela maior cordialidade. […] As empresas defendem os seus interesses, o Estado defende o interesse público. Umas vezes estaremos de acordo, noutras não”, disse Seguro Sanches em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo.

Apesar das mudanças, de tutela e de responsável, dizem as mesmas fontes, a pasta da energia tem uma importância tão grande que o secretário de Estado acaba por ter autonomia e destaque face ao ministério que a tutela. Foi isso que aconteceu até agora entre Seguro Sanches e Caldeira Cabral, resta saber se irá continuar a ser assim com João Galamba e o ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes, que acumula os temas relacionados com a Transição Energética.

Sobre os temas “quentes” que o novo secretário de Estado vai herdar, as mesmas fontes referem que “o mais complicado já está feito”, com os cortes aos CMEC da EDP aprovados e a contribuição extraordinária às renováveis já inscrita no Orçamento do Estado para 2019. A Galamba restará a gestão dos vários dossiês. O deputado socialista é identificado com a ala mais à esquerda do PS, e próximo do Bloco de Esquerda, o que poderá indicar que António Costa afinal não afastou Seguro Sanches pelas mais recentes decisões que afetaram diretamente na EDP.

Quanto a Seguro Sanches, depois de ter estado presente de manhã na tomada de posse dos novos quatro ministros, estava na tarde desta segunda-feira a ultimar reuniões no ministério da Economia. O agora ex-secretário de Estado da Energia continua sem prestar declarações sobre as razões da sua saída. E será também nessa condição de ex-responsável da pasta que irá ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas na energia.

Licenciado em Economia, João Galamba foi vice-presidente da bancada parlamentar socialista, tendo saído em maio passado da Comissão Permanente do PS, da qual era porta-voz, refere ainda a SIC, acrescentando que Galamba integra o Secretariado Nacional do PS, o órgão de direção formal do partido, liderado por António Costa.

O economista pertence às comissões parlamentares dos Assuntos Europeus, Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, Economia, Inovação e Obras Públicas, entre outras.

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