Mercado de Trabalho

Patrões divididos. Comércio e serviços hesitam na criação de emprego

Havia 560 mil desempregados em agosto dos quais 101 mil eram jovens com menos de 24 anos, indicou ontem o INE.

Os consumidores estão mais confiantes na economia, mas alguns empresários parecem mais hesitantes, sobretudo na capacidade de criarem emprego até ao final do ano. No comércio e nos serviços é onde se nota mais ceticismo.

De acordo com os inquéritos de conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a setembro, ontem divulgados, no comércio “as perspetivas de emprego agravaram-se em agosto e setembro, suspendendo a trajetória ascendente iniciada em dezembro”. Isto aconteceu tanto no retalho, como no comércio grossista. Aqui o INE ouviu a opinião de 1102 gestores de topo.

Nos serviços, o maior sector da economia, onde figuram por exemplo o turismo e os restaurantes, “o saldo das opiniões [dos responsáveis] sobre a evolução recente do emprego diminuiu nos últimos dois meses, mais intensamente em setembro, interrompendo a recuperação iniciada em dezembro de 2015”, mas “também as perspetivas sobre a evolução do emprego agravaram-se tenuemente em setembro, após terem recuperado expressivamente em agosto”. Foram consultados sobre o tema cerca de 1427 decisores.

Na indústria, o clima está mais ameno. O saldo das opiniões sobre as perspetivas de emprego “estabilizou em setembro, após a recuperação registada no mês anterior”. Foram ouvidos 1179 responsáveis industriais.

Na construção, um sector que continua a braços com a recuperação lenta após a recessão violenta dos vários anos, “as perspetivas de emprego recuperaram em setembro, interrompendo o movimento negativo iniciado em junho”. Aqui o inquérito abordou mais 822 pessoas.

Desemprego nos 11%

No mercado de trabalho, a situação está aparentemente estabilizada. Segundo divulgou ontem também o INE, a taxa de desemprego em julho de 2016 caiu para 10,9% da população ativa, menos 0,2 pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior, “prosseguindo-se a trajetória descendente que se verifica desde fevereiro de 2016”. Ainda assim, em agosto, a primeira estimativa (provisória) dá agora conta de um aumento ligeiro, para 11%.

O valor de agosto ainda poderá vir a ser revisto já que estas estimativas para o mês mais recente sofrem de alguma volatilidade, ainda não são definitivas como o registo de julho.

Historicamente (desde outubro de 2014), a estimativa mensal para a taxa de desemprego costuma, na maioria das vezes, ser revista em baixa. Se assim for, a taxa de agosto (11%) poderá ainda cair. Resta dizer, que quer o valor de julho (definitivo), quer o de agosto (provisório) são ou estão quase em mínimos de 2009.

Voltando aos dados definitivos, o país tinha no final de julho cerca de 559,8 mil pessoas sem trabalho, menos 1% face ao mês anterior (menos 5,5 mil pessoas).

Já a taxa de desemprego dos jovens (15 a 24 anos) voltou a subir, pelo segundo mês consecutivo, passando de 27,2% em julho para 27,9% em agosto. Há agora 101,7 mil jovens sem trabalho, quando em julho o número era 100,7 mil.

Em agosto, dizem os dados preliminares, houve alguma destruição de emprego. Segundo o INE, “em agosto de 2016, a estimativa provisória da população empregada foi de 4561,9 mil pessoas, tendo diminuído 0,1% face ao valor definitivo do mês anterior (6,6 mil) e aumentado 0,8% em relação ao valor definitivo de maio de 2016 (35,3 mil)”.

Igualmente, no mês passado, o emprego caiu entre os homens (menos 0,4% ou 9,4 mil casos) e nos jovens (menos 2,4% ou 6,4 mil), embora se tenha mantido “praticamente inalterado” entre os adultos (25 a 74 anos) e aumentado no caso das mulheres (0,1%; 2,7 mil), refere o instituto.

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