Economia

Patrões refreiam entusiasmos de Costa

22ª congresso nacional do Partido Socialista,
António Costa  

(Orlando Almeida / Global Imagens)
22ª congresso nacional do Partido Socialista, António Costa (Orlando Almeida / Global Imagens)

António Costa defendeu melhores salários, horários flexíveis e menos precariedade no acesso ao primeiro emprego.

O aumento do salário mínimo para o setor privado, um horário laboral mais flexível e ainda a redução da precariedade jovem, através da eliminação da contratação a termo dos candidatos a primeiro emprego, foram algumas das bandeiras de António Costa no 22.º Congresso do PS, que decorreu no último fim de semana. O primeiro-ministro subiu ao púlpito ornamentado com a frase “Portugal melhor” e apontou objetivos para o futuro. O discurso foi acompanhado por aplausos entusiastas das plateias, mas alguns dos principais representantes de associações patronais portuguesas reagem com interrogações.

Costa quer os privados a aumentar o salário mínimo para 600€, eles respondem com uma palavra: competitividade. “Uma coisa é implementar a medida, outra coisa é saber se é benévola ou não para a competitividade da economia. Esta medida deveria ser acompanhada de outros estímulos à competitividade e à produtividade e não se cingirem apenas à questão do rendimento”, refere o diretor-geral da Associação Têxteis e Vestuário de Portugal, Paulo Vaz.

Também Luís Onofre, presidente da associação dos industriais do calçado (APICCAPS), manifesta algumas dúvidas. “Tem de haver uma contrapartida que é o aumento da produção. Se não for desta forma, as empresas podem deixar de ser competitivas”, alerta.

João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, acrescenta: “Nós manifestamos sempre algumas dúvidas sobre o ritmo do aumento do salário mínimo e este não devia ser o mesmo que o do crescimento da economia e da inflação. Sempre defendemos que o salário mínimo devia ser indexado a uma fórmula que entrasse em conta com a competitividade”.
Quanto à flexibilização do horário laboral, Luís Onofre mostra-se cético à uniformização desta medida para todas as indústrias. “Isso pode acontecer em determinadas áreas. Na indústria do calçado é praticamente impossível porque trabalhamos em cadeia. Se algum deles falta, é uma carga de trabalhos. É uma medida que tem de ser adaptada às circunstâncias”. A conciliação da vida pessoal e profissional, anunciada por António Costa, é sedutora. “Mas como é que isso é feito?”, questiona João Vieira Lopes. “É uma questão que merece reflexão e uma das medidas para tentar resolver esse tipo de problemáticas tem a ver com a questão do banco de horas”.

Quanto à ideia de impedir que os candidatos a primeiro emprego tenham contratos a termo, Paulo Vaz é perentório: é uma medida que não vai promover emprego nem diminuir a precariedade. “Vai é desincentivar as próprias empresas a empregar pela primeira vez”, avisa.

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