União Europeia

PE sugere taxar especulação financeira em alternativa a cortes na coesão e PAC

Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu. Fotografia: EPA/BALLESTEROS
Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu. Fotografia: EPA/BALLESTEROS

Antonio Tajani frisou que o próximo orçamento da União Europeia "não pode afetar a Política de Coesão".

O presidente do Parlamento Europeu (PE), Antonio Tajani, protestou esta terça-feira, em Bruxelas, contra a possibilidade de cortes na Política de Coesão e na Política Agrícola Comum (PAC), sugerindo como alternativa taxar “a especulação financeira”.

Discursando durante o Estado da União Europeia, no âmbito da Semana das Regiões e das Cidades, Antonio Tajani frisou que o próximo orçamento da União Europeia “não pode afetar a Política de Coesão”, considerando que, para 2021-2027, não se podem registar cortes quer na Política de Coesão, quer na Política Agrícola Comum (PAC).

Admitindo que não será fácil chegar a um acordo quanto ao próximo orçamento europeu, considerou que esse documento não pode tirar “dinheiro dos cidadãos”, sendo necessário um foco “nos próprios recursos da União Europeia”.

Como exemplos, apontou para taxas para a especulação financeira, as transações para paraísos fiscais ou regras mais apertadas para os gigantes da tecnologia, que “não criam empregos cá e levam o dinheiro para os Estados Unidos da América”.

Para Antonio Tajani, uma coisa é certa: o orçamento não deve aumentar à custa dos contribuintes europeus.

A Política de Coesão, vincou, significa garantir que todos os países conseguem estar “em pé de igualdade”, sendo que, a haver cortes, esses não podem afetar nem esta área nem a PAC.

“Nós precisamos de uma forma mais moderna e competitiva [da PAC] e a Comissão Europeia está certa ao propor investimento em investigação, mas não podemos aceitar cortes nesse setor. Se neste momento cortamos ajuda na economia, na economia real, iremos estar a afetar o sistema económico europeu”, sublinhou.

“Se a Europa quer lidar com estes problemas, tem de ser corajosa o suficiente e fazer escolhas”, referiu o presidente do PE.

Já antes, o presidente do Comité das Regiões (CoR) Karl-Heinz Lambertz tinha criticado a Comissão Europeia por referir que a Política de Coesão é essencial, mas depois propõe “um corte de 10%” nesta área.

“Nós rejeitamos estes cortes desproporcionais”, disse, sublinhando que “centralização não é um método para o futuro – é uma relíquia do passado”.

Durante o seu discurso, notou ainda que, por vezes, os líderes dos Estados membros dão a impressão que estão a evitar o trabalho em torno de um acordo para o próximo orçamento europeu, o que cria “uma grande incerteza, num momento em que os europeus precisam de perspetivas para o futuro”.

“Uma Europa exausta, sem meios para atuar, iria representar uma vitória para aqueles que querem ver o seu fim”, alertou.

Os cortes propostos pela Comissão Europeia para a Política de Coesão, que afetariam Portugal, já foram criticados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e pelo primeiro-ministro português, António Costa.

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