Pedro Cosme: “Portugal apenas atingirá os 60% da dívida pública daqui a 30 anos”

No final da reunião, o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, garantiu que Portugal vai beneficiar da melhoria de condições de crédito oferecidas à Grécia.

Na prática os países que estão sob ajuda financeira internacional, ou seja Portugal e Irlanda, vão ter acesso a uma ligeira redução de juros, a um aumento das maturidades em 15 anos e extensão do período de carência dos juros em mais 10 anos.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Pedro Cosme defende que o alívio concedido à Grécia é a oferta da oportunidade de Portugal recomeçar de novo. O economista alerta que acordo é “a materialização da certeza de que Portugal apenas atingirá o objetivo dos 60% da dívida pública daqui a cerca de 30 anos”.

Quais as vantagens para Portugal?

Portugal (e outros países) endivida-se sabendo que até ao fim do prazo não é capaz de gerar recursos suficientes para amortizar o capital. A esperança é conseguir refinanciar a dívida vencida continuamente. O acordo sobre a extensão do prazo é a materialização da certeza de que Portugal apenas atingirá o objectivo dos 60% da dívida pública daqui a cerca de 30 anos. Se numa primeira fase as instituições que nos estão a resgatar pensaram que os problemas dos países sob resgate eram apenas de credibilidade de curto prazo, hoje já têm a consciencia que sofremos de problemas económicos estruturais que precisam de tempo para serem corrigidos. A actual taxa de juro (abaixo do 3.5%/ano) já é uma taxa muito baixa se recordarmos que nos primeiros anos do euro, 1999 – 2003, Portugal tinha bom rating e pagava uma taxa média a 10 anos de 5%/ano.

É possível quantificar o que estas medidas vão representar para Portugal?

A descida da taxa de juro tem um efeito positivo direto (uma descida de 0.1 pontos percentuais induzirá uma poupança de 78 milhõeseuro/ano). Mas, se Portugal conseguir uma taxa de juro de 3%/ano, a previsão de que Portugal apenas conseguiria re-financiar os 78MMeuro do resgate no mercado a uma taxa média de 5%/ano indica que estas alterações das condições da ajuda representam, em termos atualizados, uma poupança próxima dos 10 mil milhões euro.

Esta redução dos juros e das comissões terá um efeito significativo ou não representa um montante relevante para Portugal?

Além do efeito direto nos encargos do Estado, tem também um efeito indireto de tornar a nossa economia mais credível o que diminuirá o custo do financiamento de toda a economia. Sabido que o total do endividamento externo português é próximo dos 400 mil milhões de euro, uma possível redução transversal de 1pp na taxa de financiamento externo, traduzir-se-á numa poupança anual de 4000milhõeseuro.

O que ganha Portugal com estas medidas anunciadas?

É a oferta da oportunidade de Portugal e demais países resgatados recomeçarem de novo. Agora, Portugal tem uma década livre para, sob observação dos nossos parceiros, se concentrar nas reformas estruturais necessárias para equilibrar as contas externas e anular o défice público preparando, nas décadas seguintes, a resolução definitiva do problema da nossa (in)sustentabilidade.

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