Pedrógão Grande

CNA reclama “medidas excecionais” para “situação excecional”

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A Confederação Nacional da Agricultura pediu ao Ministério da Agricultura mais que "rotineiras" medidas "de circunstância".

A Confederação Nacional da Agricultura reclamou hoje “medidas excecionais de avaliação e apoio” para a “situação de excecional gravidade” e de “tragédia” vivida em Pedrógão Grande e pediu ao Ministério da Agricultura mais que “rotineiras” medidas “de circunstância”.

Em comunicado, a CNA “exprime o seu pesar e as mais sentidas condolências às muitas famílias enlutadas” e solidariedade com os envolvidos no combate aos incêndios e socorro às vítimas da “tragédia brutal e devastadora” que se abateu desde sábado sobre a região de Pedrógão Grande e concelhos vizinhos como Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

Para a CNA, “não basta agora proclamar ‘três dias de luto nacional’, por muito que esta tragédia o justifique”, e reclama que sejam “rapidamente apurados todos os principais prejuízos provocados pela catástrofe em habitações e outros bens pessoais, como oficinas, armazéns, máquinas e alfaias, instalações pecuárias, gados, culturas, vinhas, pomares, olivais”.

A Confederação Nacional da Agricultura quer ainda o levantamento sobre “a incapacidade temporária para produzir devido à destruição dos equipamentos e/ou culturas” e por “prejuízos em infraestruturas coletivas, por exemplo, em estradas e condutas de água pública”.

Este trabalho é essencial para que, “também de forma célere, sejam definidas medidas oficiais de exceção, incluindo a nível da União Europeia, capazes de apoiar as vítimas”, sublinha o comunicado.

Para a CNA, “neste terrível contexto, não basta que o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural faça de conta que nada de completamente excecional aconteceu e venha apresentar medidas de circunstância como aquelas que já se tornaram rotineiras no âmbito de certos apoios do PDR 2020 e, ainda por cima, indexadas a eventuais seguros agrícolas ou de qualquer outro tipo que os agricultores e as populações rurais possam ter feito normalmente”.

Por outro lado, a confederação considera “imperioso” que se “apurem todos os principais vetores que se conjugaram, e como se conjugaram eles, para que pudesse ter acontecido uma tragédia de dimensão e impacto tão brutais” e que sejam atribuídas “todas as inerentes responsabilidades e a todos os níveis – político, institucional, operativo e judicial”.

Reconhecendo a existência de “alguns fatores pouco previsíveis, como os ventos fortes e cruzados, que potenciaram” o perigo de incêndio, a CNA considera, contudo, que o tipo de floresta dominante nesta região, de cariz industrial e em regime de “cultura intensiva e contígua com eucalipto e pinheiro (espécies altamente comburentes)” foi “o ‘pasto’ ideal para os violentos e extensos incêndios florestais” ocorridos.

“Ganha, pois, toda a acutilância o ‘velho’ problema da falta de definição e aplicação de um correto Ordenamento Florestal que impeça as vastas áreas contíguas cheias de espécies muito comburentes (eucalipto e pinheiro) e em regime intensivo de produção”, defende.

A CNA atribui a “ruína da agricultura familiar” à Política Agrícola Comum, aos “muitos anos seguidos de más políticas agrorrurais de matriz nacional” e aos baixos preços da madeira na produção, fatores “na base dos violentos e extensos incêndios florestais que se verificam sazonalmente, mas que é possível evitar em larga medida”.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 63 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

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