Pedrógão Grande

Pedrógão Grande: Fogo idêntico pode ocorrer em três quartos do país

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António Louro, alertou que um incêndio como o que deflagrou em Pedrógão Grande pode acontecer em três quartos do território português

O presidente do Fórum Florestal, António Louro, alertou hoje que um incêndio como o que deflagrou em Pedrógão Grande pode acontecer em três quartos do território português, que tem uma paisagem e condições semelhantes.

“Infelizmente o potencial para acontecerem novas tragédias é extremamente elevado”, disse à agência Lusa António Louro, rematando: “o mais preocupante é que aquilo que aconteceu em Pedrógão podia ter acontecido em três quartos do nosso território”.

Há dez anos a alertar para este perigo, António Louro confessou que o seu espanto é ter “demorado tanto tempo a acontecer uma tragédia desta dimensão”.

“Tivemos muita sorte de ter demorado tanto tempo a acontecer”, porque “as situações de perigo no combate aos incêndios florestais são extremamente recorrentes”, assim como as condições climatéricas adversas, adiantou.

Sobre o que tem falhado, António Louro disse que têm “faltado estadistas e capacidade enquanto país de perceber o que é que está a acontecer” às populações rurais e “tomar medidas adequadas para corrigir a situação”.

Durante séculos a ferramenta para gerir estes territórios foi a aldeia e o agricultor, mas com “as grandes mudanças socioeconómicas que aconteceram, a agricultura deixou de ser minimamente aliciante para que as pessoas continuassem com esse modo de vida e foi naturalmente abandonada”.

Aquilo que hoje existe são “enormes extensões de território que têm proprietários legítimos, mas que já não têm um modo de vida compatível” com a gestão destes espaços.

“Infelizmente o país não foi capaz de reagir às profundas mudanças que aconteceram no território rural, à saída das pessoas, há mudança do tipo de proprietários, e as consequências estão à vista: uma paisagem completamente insustentável com um clima como o nosso”, sublinhou.

Para evitar novos incêndios destas dimensões, o presidente do Fórum Florestal defendeu que é preciso procurar “novas soluções de gestão para os territórios rurais”, que permitam implementar o ordenamento, e sistemas de gestão.

Defendeu ainda que as autoridades deviam pensar com urgência como é que as verbas do plano Junker podem ser alocadas “a um verdadeiro plano de desenvolvimento da floresta em Portugal”.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 62 mortos civis e 62 feridos, dois deles em estado grave. Entre os operacionais, registam-se dez feridos, quatro em estado grave. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira

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