Incêndios

Pedrógão Grande: Mercado imobiliário continua quase parado

Henriques da Cunha / Global Imagens
Henriques da Cunha / Global Imagens

O mercado imobiliário na zona afetada pelo grande incêndio de Pedrógão Grande recuperou pouco e os agentes falam de uma quebra de “dez para um” nas vendas a estrangeiros, os principais clientes.

“Até há três semanas, o mercado esteve muito parado. Agora, há mais visitas e alguns clientes estrangeiros, mas até então foi bastante parado. Foi um ano muito mau, se calhar o pior desde que abrimos. De junho para a frente, caiu bruscamente de dez para um”, contou à agência Lusa o responsável da agência imobiliária sediada em Pedrógão Grande Esfera Real, Fernando Fernandes.

Desde junho de 2017, nos três concelhos mais afetados pelo incêndio, a agência imobiliária vendeu sete propriedades a estrangeiros – três para habitação permanente e quatro de segunda habitação.

De momento, têm “seis processos com estrangeiros a decorrer, com intenção de compra, mas ainda por concluir”, acrescentou, referindo que os clientes são essencialmente de Inglaterra, mas também da Holanda e Suíça.

Os que compram optam por zonas que não foram afetadas pelos incêndios, nomeadamente em núcleos de vilas e aldeias.

“A natureza está a recuperar, mas recupera muito mais rapidamente do que a memória das pessoas”, sublinha Fernando Fernandes.

Os clientes que, mesmo assim, optam pela região, vão para a zona de Pedrógão Grande por ser “uma zona pacífica e tranquila, com preços acessíveis”.

“Estamos certos de que no futuro iremos ter uma zona melhor do que tínhamos no passado. Muitos esforços estão a ser realizados na recuperação de casas e aldeias, também um melhor ordenamento do território florestal, o que conforta e dá segurança aos nossos clientes”, explanou.

Também Jorge Piedade, agente imobiliário da Remax que trabalha na região, regista uma quebra acentuada, principalmente nos clientes estrangeiros, que representavam “70% a 80%” do mercado daquela zona.

“Foi um mercado que ficou bastante melindrado com a situação e com toda a envolvência”, afirmou à Lusa o agente imobiliário, considerando que o incêndio veio numa altura em que se começava a sentir alguma recuperação do mercado na região.

“Como há demasiado eucalipto nestas zonas, o mercado que cresceu depois do incêndio foi o mercado de Alvaiázere e Ansião, em que há uma mancha mais pequena de eucalipto e [os clientes] estão a fugir para essa zona”, salientou.

Na Casa Serta, que também trabalha toda a região, passou-se de uma média de 30 pedidos de informação por dia “para zero”, imediatamente após o incêndio, contou João Filipe, um dos gerentes.

“Noventa por cento dos imóveis para venda ficaram danificados ou com a paisagem danificada. Tivemos que tirar novas fotografias de imóveis, explicámos que o pior tinha passado e começámos a ter novos contactos”, sublinha.

O incêndio também teve um impacto no valor dos imóveis à venda: “Tínhamos um imóvel que antes do fogo pedíamos 75 mil euros e que depois vendemos por 12.500 euros”.

Decorrido um ano, as casas voltaram a valorizar “um bocadinho, mas não para o preço em que estavam”, explicou, sublinhando que mais importante do que as casas queimadas é a paisagem envolvente da propriedade.

“Os estrangeiros não se importavam muito com o estado da casa. O importante é o local e a paisagem”, frisou, considerando que quem compra também opta por avançar com a reflorestação dos terrenos – “só de se falar de eucaliptos os estrangeiros ficam doentes”.

Neste momento, João Filipe já sente uma recuperação desde o incêndio e sublinha que continua a haver estrangeiros a comprar casa, mesmo depois do incêndio, elegendo a zona pela “qualidade de vida, a simpatia das pessoas, o preço e a comida”.

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