Peixe mais barato na lota e mais caro à mesa

Preço diferentes de lota para lota
Preço diferentes de lota para lota

O preço do peixe nas lotas portuguesas está a cair desde o início do ano, apesar das pescarias serem cada vez mais pequenas. E há casos de espécies em que os preços chegam a variar mais de 10 vezes entre lotas. Já o consumidor paga sempre mais caro.

Pelas lotas portuguesas passaram mais de 50 mil das quase 58 mil toneladas de peixe capturadas, entre janeiro e junho, e o preço médio de venda foi de 1,84 euros por kg, ou seja, 6,6% abaixo do valor atingido em igual período de 2012, quando se cifrava quase nos dois euros por quilograma. Em contrapartida, o índice de preços no consumidor do peixe fresco e refrigerado sofreu um agravamento de 0,4%, de acordo com os dados da Datapescas.

Humberto Jorge, presidente da Associação Nacional das Organizações da Pesca do Cerco, explica que a razão é que ao consumidor não chega só o peixe vendido em lota, mas também o importado e o de aquicultura. Mas o secretário de Estado do Mar reconhece distorções nos canais de comercialização.

“Aparentemente – e digo aparentemente porque ainda não o estudamos e não tenho dados objetivos para o poder afirmar -, há aqui uma distorção na distribuição de rendimentos para a qual precisamos de olhar, e iremos olhar”, admite Manuel Pinto de Abreu.

O ministério tem vindo a trabalhar no sentido de uma “maior valorização do pescado”, sobretudo a montante. “O melhor peixe do mundo, como nós gostamos de dizer que temos, não pode ser vendido a preços tão baixos na primeira venda, porque é daí que sai a justa, ou não, paga ao pescador. É aí que temos de fazer o trabalho”, diz.

Há casos gritantes. A pescada, por exemplo, vendida em lota ao preço máximo de 3,72 euros/kg está a ser vendida ao público nas grandes superfícies à volta de 6,5 euros/kg; a sardinha estava a ser vendida a 5 euros o kg, quando chegou a ser comprada em alguma lotas, a menos de um euro.

O Governo admite avançar até ao final do ano com uma experiência-piloto para avaliar se alterações ao figurino dos leilões em lota produz resultados. “Vamos falar com as organizações de produtores e dinamizar mais comissões de trabalho conjuntas, integrando a comercialização e a transformação do pescado”, afirma.

Mas o que preocupa mesmo os armadores, diz Humberto Jorge, é a falta de crédito. “O aumento dos custos de produção é o nosso grande problema, desde que os combustíveis dispararam e se mantêm lá em cima. Há muita embarcação a parar e muita empresa a falir. Não precisamos de linhas para investimento, precisamos mesmo é de apoio à tesouraria”, afirma.

Manuel Pinto de Abreu refere a linha de crédito ao investimento e apoio à atividade de 1500 milhões que existe e garante que todas as questões serão estudadas. “Não deixaremos de procurar uma solução se ela existir”. Além disso, o ministério está apostado, não só, em conseguir valorizar novas espécies, mas também em avançar com o aproveitamento dos subprodutos da pesca, designadamente para a indústria farmacêutica, o que poderá aumentar substancialmente as receitas dos pescadores.

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