Coronavírus

Pequeno comércio abre a porta a medo, mas mais vale pouco que nada

(D.R.)
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Para muitos dos que vão reabrir, o recurso ao lay-off foi um balão de oxigénio que vai continuar a servir. E pedem-se mais apoios.coronavírus

A pandemia vai prosseguir já sem os cabelos brancos ou longos demais da quarentena, para quem assim quiser. Cabeleireiros e barbeiros são dos primeiros espaços a admitir clientes, na segunda-feira, e foram também das primeiras atividades a publicar regras de higiene para ter a porta aberta. Incluem marcações, máscaras obrigatórias, tal como batas e materiais descartáveis ou sujeitos a esterilização, e toalhas lavadas a mais de 60º. O protocolo ainda é sujeito a revisão da Direção Geral de Saúde antes de ser assinado este sábado em São Bento.

Para trás, ficaram 20% a 30% dos negócios do sector, que já não voltam a abrir as portas, segundo Miguel Garcia, presidente da Associação Portuguesa de Barbearias, Cabeleireiros e Institutos de Beleza (APBCIB).

Entre os que regressam ao trabalho, permanece o medo e em grande medida a dependência dos apoios do lay-off simplificado que serviu de oxigénio nas última semanas: até um terço dos funcionários deve continuar em casa. “O problema é quando nós começarmos. Ou o Estado continua a apoiar, ou 50% dos negócios vão cair de certeza”, antecipa Miguel Garcia, para quem a primeira semana de atividade será lotada mas o futuro continua incerto.

Os cabeleiros, tal como o restante pequeno comércio de proximidade, vão abrir as 10h. A ideia é tirar pessoal dos transportes públicos na hora de ponta.

Poderá ainda haver necessidade, no comércio de roupa, de impor regras mais apertadas no uso de provadores e quanto à limpeza da roupa, admite João Vieira Lopes, presidente da Confederação de Comércio e Serviços (CCP).

“O governo tem a preocupação, que nos parece correta, de começar por abrir por lojas que não provoquem nem grandes aglomerações nem grandes deslocações. O comércio de proximidade cumpre esses dois objetivos”, defende o dirigente, que manifesta apenas uma preocupação: “Em termos de máscaras, há bastante mais, mas não chega”. Depois, “poderá não haver muito negócio, mas haverá algum”, entende Vieira Lopes, para quem o importante é recomeçar por algum lado.

Stands não esperam grande procura, e pedem incentivos ao abate

Os stands automóveis também poderão não chamar muita gente, sobretudo nesta fase de rendimentos mais reduzidos. Mas mais vale mostrar que se está lá, defende Hélder Pedro. O secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) lembra o grande quinhão que o automóvel representa para as receitas fiscais do país, e há a retoma na indústria a pedir quem coloque automóveis no mercado.

“Não pensamos que vai haver uma grande procura, infelizmente, neste primeiro mês dada a situação do país e da economia. Mas é um sinal que temos de dar”. Para ajudar, porém, a ACAP repete o apelo para incentivos ao abate de veículos que contribua para ajudar à procura.

Para breve, a 18 de maio, as creches são também chamadas a reabrir. Nos equipamentos privados, um quarto daqueles que existem no país, também o lay-off tem sido o balão de oxigénio. A redução de salários serviu para cobrir descontos aos utentes, diz Susana Batista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP), e o futuro continua incerto.

Aqui, também, há negócios a abrir falência, e a organização está preocupada com a possível falta de procura, assim como ainda com os casos de famílias que não pretendem saldar mensalidades. Para as famílias em apuros, assegura, vai ser encontrada uma solução de pagamentos.

Os eventos ainda não estão no calendário

Mais longe no calendário, ainda não há praia à vista. Às empresas de eventos e animação turística, onde se incluem concessionárias de praias, “não passa pela cabeça” retomar já. Mas os empresários querem ser ouvidos, num momento em que o governo discute com autarquias e capitanias como vai ser o regresso ao mar. “Devíamos ter um papel muito mais ativo”, defende António Marques Vidal, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Congresso, Animação Turística e Eventos (APECATE).

A APECATE está contra soluções apenas administrativas para lidar com uma diversidade de atividades que vai desde as excursões pelas serras à organização de eventos empresariais. “Não nos faz sentido a visão policial. Queremos uma visão de responsabilização”, diz Marques Vidal.

Já com o lugar marcado na reabertura, para junho, estão os cinemas. Um dos operadores do mercado, a NOS Cinemas, diz que está ainda a avaliar as condições do regresso. “A NOS Cinemas tem vindo a avaliar continuamente a evolução da situação e respeitará todas as orientações e medidas indicadas pela Direção Geral da Saúde e pelo Governo. A reabertura de salas estará sempre dependente da salvaguarda da segurança dos nossos clientes e dos nossos colaboradores, assim como da disponibilidade de filmes e do necessário equilíbrio económico”.

*com Ana Marcela

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