Guerra comercial

Pequim avança com tarifas a soja e automóveis americanos

A General Motors é um dos fabricantes automóveis americanos a operar na China, com uma unidade em Liuzhou, sudoeste do país.
A General Motors é um dos fabricantes automóveis americanos a operar na China, com uma unidade em Liuzhou, sudoeste do país.

Contra-medidas comerciais atingem principais importações americanas. Washington avançou antes para tarifas a 1300 produtos tecnológicos chineses.

A China vai retaliar perante os Estados Unidos com tarifas adicionais às importações de soja, aviões, veículos e componentes automóveis, avançou esta quarta-feira a televisão estatal chinesa CCTV, citando uma decisão adotada pelo Conselho de Estado um dia depois de a representação dos Estados Unidos para o comércio internacional ter anunciado a intenção de avançar com novas tarifas sobre 1300 produtos importados à China pelo país, em valores que rondam os 41 mil milhões de euros (50 mil milhões de dólares).

A escalada nas tensões comerciais entre Washington e Pequim acentuou-se desde o início desta semana, com os rivais comerciais e ripostarem a cada anúncio de agravamento das taxas alfandegárias.

A China pretende impor tarifas adicionais de 25% sobre as compras de soja e de veículos e componentes automóveis, levando a consulta uma nova lista de 106 produtos americanos para ação de salvaguarda comercial.

A ação foi já detalhada pelo Ministério das Finanças chinês, cujo vice-ministro, Zhu Guangyao, declarou que o país não pretende entrar numa guerra comercial com os Estados Unidos e que Pequim espera ainda que as relações com Washington retomem um curso são.

Zhu Guangyao confirmou a reciprocidade da retaliação frente às novas tarifas americanas. As sobretaxas alfandegárias chinesas vão aplicar-se sobre produtos que em 2017 representaram um valor de importações de 50 mil milhões de dólares.

Além da soja, estão incluídos na lista milho, trigo, produtos de tabaco, sumo de laranja, whisky e alguns produtos de carne de vaca. Aeronaves, lubrificantes, camiões e veículos SUV também serão sujeitos à nova tarifa de 25%.

O Ministério do Comércio chinês tinha antes comunicado que se preparava para “em breve” avançar com “medidas na mesma força e extensão” que as anunciadas por Washington terça-feira.

Na última segunda-feira, Pequim tinha já imposto tarifas adicionais sobre produtos americanos importados pela China em valores de três mil milhões de dólares – sobretudo, bens agroalimentares como fruta, vinho e carne de porco.

Em editorial, o jornal oficial chinês Global Times, publicação em língua inglesa do Diário do Povo que veicula as posições internacionais do Partido Comunista Chinês, avançava já na edição desta quarta-feira com a recomendação de que Pequim deveria impor tarifas às principais importações oriundas dos Estados Unidos, sugerindo também que o país substituísse a Boeing pela Airbus na compra de aeronaves.

Para o Global Times, “a China tem muitas cartas na manga” e deve retaliar com “contramedidas que desfiram um duro golpe, atingindo os maiores receios dos Estados Unidos”.

“Recomendamos vivamente começar com os produtos de milho e soja dos Estados Unidos. Se a agricultura [do país] sentir a dor, terá um enorme efeito de contágio, com um forte impacto político”, disse o jornal. “A indústria automóvel dos Estados Unidos deve vir a seguir”, continuava, lembrando que fabricantes como a General Motors têm unidades na China. “Pequim deve também reduzir as encomendas ao fabricante aeronáutico americano Boeing e encomendar antes à Airbus”, juntou. Soja, aviões e automóveis são os três maiores grupos de bens exportados pelos Estados Unidos para a China.

A reação chinesa surge em resposta imediata ao anúncio americano de uma nova consulta para imposição de tarifas sobre importações tecnológicas chinesas que inclui, principalmente, bens de capital intermédios como equipamentos e maquinaria, utilizados pela indústria americana.

Washington alega que se trata de uma resposta ao que considera o roubo de tecnologia americana, depois de ter promovido uma investigação sobre situações de transferência de tecnologia e propriedade intelectual no acesso de empresas americanas ao mercado chinês.

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