Eleições EUA

Perfil. Trump, a força bruta que conquistou a Casa Branca

Excessivo e impulsivo, Donald Trump, de 70 anos será o 45.º Presidente da história norte-americana sem nunca ter desempenhado qualquer cargo político.

Excessivo e impulsivo, Donald Trump, de 70 anos, conquistou hoje a Casa Branca e será o 45.º Presidente da história norte-americana sem nunca ter desempenhado qualquer cargo político.

Em junho de 2015, Donald Trump apresentou-se como o futuro Presidente que iria restituir a grandeza aos Estados Unidos e, nessa altura, quase ninguém acreditou nessa hipótese.

Ao leme de uma campanha atípica, o mediático e controverso multimilionário quebrou todas as regras do politicamente correto, explorou as inseguranças dos americanos perante um mundo em mudança e conseguiu impor-se ao eleitorado do ‘Grand Old Party’ (GOP, como o Partido Republicano é conhecido) nas eleições primárias da força partidária para desespero de um aparelho republicano em “crise existencial” e sem qualquer “plano B”.

Leia também: O discurso de Trump. América vai dar-se bem com todos os países

Deixou para trás todos os seus adversários nas primárias (um total de 16) e garantiu a nomeação presidencial em julho passado em Cleveland (Ohio).

O magnata nova-iorquino, que fez fortuna no setor imobiliário e que nunca ocupou qualquer cargo político, já tinha considerado por diversas vezes avançar com uma candidatura presidencial, como foi o caso em 1988, 2000, 2004 e 2012, mas nunca chegou a vias de facto.

epaselect epa05623649 Hillary Clinton Campaign Chair John Podesta asks everyone to head home as they wait for votes to continue to be counted at Hillary Clinton's 2016 US presidential Election Night event watch results come in on a big screen at the Jacob K. Javits Convention Center in New York, New York, USA, 08 November 2016. Americans vote on Election Day to choose the 45th President of the United States of America to serve from 2017 through 2020. EPA/GARY HE

EPA/GARY HE

A 16 de junho do ano passado, num discurso proferido no edifício Trump Tower, em Manhattan, Nova Iorque, Trump decidiu quebrar o ciclo e avançar para uma campanha impulsionada por um ego enorme e um espírito populista (e um penteado no mínimo elaborado) que não deixou ninguém indiferente.

No último ano, Trump falou de tudo, garantiu que não tinha dúvidas e não poupou ninguém, muito menos aqueles que têm opiniões contrárias às suas.

Durante a campanha, o multibilionário promete, entre outras decisões que tomará na Casa Branca, a construção de um muro na fronteira mexicana, pago pelo México, para impedir a imigração ilegal. Também quer expulsar dos Estados Unidos os 11 milhões de imigrantes ilegais que trabalham e vivem naquele país.

Leia também: Como a América viveu a noite das eleições

epa05623818 A televised speech of US President-elect Donald Trump is watched on a monitor as borkers sit in the trade room of the stock exchange in Frankfurt am Main, Germany, 09 November 2016. US businessman Republican Donald Trump has won the US presidential election. Americans voted on Election Day to choose the 45th President of the United States of America to serve from 2017 through 2020. EPA/FRANK RUMPENHORST

EPA/FRANK RUMPENHORST

Para travar o terrorismo, Trump fala em proibir a entrada de muçulmanos no território norte-americano e diz que vai “cortar rapidamente a cabeça” do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e “ficar com o petróleo” dos ‘jihadistas’.

Não esconde a sua admiração pelo Presidente russo, Vladimir Putin, que classificou como “um líder forte”, e disse que irá cancelar os pagamentos americanos aos programas da ONU na área das alterações climáticas.

A nível interno, Trump apresenta-se como o salvador de uma América que, segundo o próprio, está moribunda e a perder poder de influência.

Milhares de americanos, muitos deles de uma classe trabalhadora zangada com a estagnação salarial e que se sente traída pelas elites políticas, comparecem nos comícios de Trump.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

 

Nessas ocasiões, o magnata, sempre bem vestido e com orgulho de ser politicamente incorreto, faz questão de denunciar “os idiotas” que governam o país, de jogar com os medos alheios e de prometer que vai “Fazer a América grande outra vez”, um dos ‘slogans’ da sua campanha.

Quase na reta final da campanha, o magnata de Manhattan apresentou os seus planos para os primeiros 100 dias à frente da Casa Branca, prometendo melhorar a economia norte-americana e travar a corrupção em Washington.

Os adversários, dos republicanos aos democratas passando pela comunicação social, estiveram sempre na mira das provocações e das acusações do multimilionário, que afirmou ser vítima de uma “elite global” e de uma “imprensa corrupta”. E denunciou que a eleição estaria a ser viciada a favor da candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

A Trump hat sits on a table outside of the rally for Republican U.S. presidential nominee Donald Trump in New York City, New York, U.S. November 8, 2016. REUTERS/Andrew Kelly

REUTERS/Andrew Kelly

No último debate presidencial (o terceiro), realizado a cerca de três semanas das eleições, o republicano deixou o país em suspense ao recusar-se a dizer se iria aceitar os resultados eleitorais.

Sobre a rival democrata (que chegou a ser convidada num dos casamentos do magnata), Trump acusa-a de enriquecer através do tráfico de influências e de ser “cúmplice” das infidelidades conjugais do seu marido e ex-Presidente Bill Clinton.

O empresário violou todas as convenções relativas ao tratamento da sua adversária. Chegou a prometer a prisão de Hillary Clinton devido às suas práticas de envio e armazenamento de ‘e-mails’ enquanto secretária de Estado e sugeriu que a democrata estava “dopada” durante um frente-a-frente televisivo.

Os comentários ofensivos e misóginos e as denúncias de assédio sexual e de fuga de impostos foram os últimos episódios de uma campanha que foi rejeitada por vários notáveis republicanos, como as antigas famílias presidenciais Bush e Reagan, e encarada como perigosa “do ponto de vista internacional” por altos funcionários da ONU.

Antes de entrar na corrida presidencial, Donald Trump já era uma figura bem conhecida americanos e com sede de mediatismo.

Os edifícios e os casinos com o seu nome, os casamentos e os divórcios nas primeiras páginas dos tabloides, a organização de concursos de beleza e a produção de programas de televisão colocaram Trump no circuito das estrelas sociais dos Estados Unidos.

U.S. President-elect Donald Trump speaks at his election night rally in Manhattan, New York, U.S., November 9, 2016. REUTERS/Carlo Allegri TPX IMAGES OF THE DAY

REUTERS/Carlo Allegri

Nascido no bairro nova-iorquino de Queens a 14 de junho de 1946, Donald John Trump foi o quarto de cinco filhos de um importante promotor imobiliário nova-iorquino. A sua mãe era uma imigrante escocesa.

Depois dos estudos na academia militar e na Universidade da Pensilvânia, Trump entra no negócio de família a 1968. Como incentivo, o pai ajuda-o com “um pequeno empréstimo de um milhão de dólares”. Três anos mais tarde, o jovem empresário assume o controlo da empresa familiar.

O pai construía apartamentos para a classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn e Queens, mas Donald Trump preferiu mudar o rumo dos negócios e apostou em torres de luxo, hotéis, casinos e campos de golfe, de Manhattan ao Dubai.

Durante a sua carreira empresarial, sofreu vários contratempos. Entre 1991 e 2009, quatro dos seus casinos e hotéis são colocados sob a proteção da lei de proteção de falências.

Em outubro, a revista Forbes avaliou a fortuna de Trump em cerca de 3,7 mil milhões de dólares (cerca de 3,3 mil milhões de euros). O próprio chegou a afirmar que geria uma fortuna de 10 mil milhões de dólares (8,8 mil milhões de euros).

Casou-se três vezes: duas modelos e uma atriz. Tem cincos filhos e sete netos.

Figura habitual nas páginas dedicadas a celebridades, Trump começou a fazer, ainda na década de 1980, participações especiais em filmes, séries e anúncios. “Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque”, “O Sexo e a Cidade” ou “O Príncipe de Bel Air” são apenas alguns dos formatos que constam no seu currículo televisivo.

Até 2015 foi co-proprietário da organização dos concursos Miss Universo e Miss América e na década 2000 entrou numa aventura televisiva, como produtor e apresentador do formato de televisão “O Aprendiz”.

Deste ‘reality-show’, que procurava um candidato para entrar no mundo dos grandes negócios, fica a frase com que eliminava cada concorrente: “You’re fired” (“Está despedido”).

A expressão deu ao futuro residente da Casa Branca a fama de empresário implacável.

O sucessor de Barack Obama – o homem que Trump chegou a acusar de não ter nascido nos Estados Unidos – será empossado a 20 de janeiro de 2017, numa cerimónia pública junto ao edifício do Capitólio, em Washington.

 

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.
Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Mário Centeno 
(EPA-EFE/PATRICIA DE MELO MOREIRA)

Lentidão nos reembolsos fazem disparar IRS em plena crise

Fotografia: José Sena Goulão/Lusa

Costa. Plano de rotas da TAP “não tem credibilidade”

portugal covid 19 coronavirus

1342 mortos e 31007 casos confirmados de covid-19 em Portugal

Perfil. Trump, a força bruta que conquistou a Casa Branca