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Peritos mais otimistas que o governo em relação ao PIB de 2017

Pedro Nuno Santos, Mário Centeno e António Costa. Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA
Pedro Nuno Santos, Mário Centeno e António Costa. Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA

INE. Economistas dizem que turismo continua a puxar pelo PIB, que cresceu 2,8% no 1º trimestre. Mas pedem cautela quanto ao investimento.

O crescimento de 2,8% no primeiro trimestre face a igual período de 2016 pode fazer de 2017 o melhor ano económico dos últimos dez. Vários economistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo acreditam que a projeção de 1,8% partilhada por governo, Banco de Portugal e Comissão Europeia até pode pecar por defeito e há já quem admita “2% ou mais” e até 2,4% em 2017.

Segundo informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE), aquela expansão de 2,8% também é a mais forte dos últimos dez anos. É preciso recuar ao 4º trimestre de 2007 para ter um ritmo igual.

O INE explica que a aceleração neste arranque de ano, pelo terceiro trimestre consecutivo, veio do “maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo, refletindo a aceleração em volume mais acentuada das exportações que a das importações”. Além disso, “a procura interna manteve um contributo positivo elevado, embora inferior ao do trimestre precedente”, com “desaceleração do consumo privado e aceleração do investimento”.

Recorde-se que o investimento teve um início de 2016 bastante difícil, arrastado por uma contração da componente pública, mas já mais para o final, o investimento público despertou, animado pela entrada de fundos europeus. Este ano, estima-se que possa crescer na casa dos 30%.

Os economistas ouvidos têm reservas, claro, é só um trimestre, é preciso “cautela”, mas admitem que pode haver pernas para andar e até já ponderam projeções anuais superiores aos 1,8% do governo.

João Borges de Assunção, professor de Economia da Universidade Católica de Lisboa e coordenador do Núcleo de Estudos de Conjuntura (NECEP), diz que “este dado é bastante bom e consistente com uma ideia de dinâmica que pode vir a ser mais duradoura”. “Ainda é cedo para confirmarmos isto” mas os 2,8% anunciados pelo INE “são bastante fortes e o impacto psicológico que isto tem nos agentes económicos, consumidores e empresas, não é despiciendo. A nossa projeção para 2017 está agora centrada nos 2,4%”.

José Cerdeira, economista do departamento de estudos do BPI, defende que “estes dados melhoram a perspetiva para 2017 – esperamos agora que o PIB aumente mais de 2% na totalidade do ano”.

António Mendonça, professor de Economia do ISEG e antigo ministro das Obras Públicas do segundo governo de José Sócrates, destaca que “a procura externa ganhou força, muito provavelmente apoiada no turismo que está imparável, e nas exportações das nossas empresas, que também beneficiam do ambiente mais desanuviado que se vive nos nossos principais parceiros comerciais”.

“Do lado interno, destacaria os sinais mais positivos, sobretudo no investimento, mas aqui diria que ainda não é totalmente convincente. Temos de olhar com cautela, basta que algum risco se materialize, causando danos sobre a confiança e as perspetivas de negócio, e o investimento empresarial pode não se materializar na dimensão que julgamos”. “As empresas não investem por uma questão de fé”, avisa o ex-ministro.

“Outra coisa importante é a ideia de maior estabilidade nos rendimentos das famílias” depois dos “cortes dolorosos” aplicados pelo PSD-CDS, que “acabaram por fazer mais mal do que bem à economia e à consolidação orçamental”, diz o ex-governante socialista.

Filipe Garcia, consultor da IMF – Informação de Mercados Financeiros, destaca o “espetacular desenvolvimento do turismo” e fala de um contexto de “bonança perfeita”: o apoio do BCE, que mantém os juros controlados, e os “principais parceiros de Portugal a crescer e a acelerar”. “As previsões para o PIB em 2017 serão provavelmente revistas em alta pela maioria das instituições”, acredita este economista.

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