Peso das exportações divide FMI e Portas

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Paulo Portas desvalorizou ontem a explicação do FMI para a
recuperação da balança comercial. Para a instituição liderada
por Christine Lagarde os resultados devem-se à contração das
importações e à exportação de combustíveis. Já o
vice-primeiro-ministro prefere dizer que esta recuperação está a
chegar sobretudo devido ao esforço das empresas.

“As exportações portuguesas no início da crise internacional
eram 28% do produto [interno bruto]e hoje superam 40% . É uma proeza
das empresas e de quem nelas trabalha e eu acredito mais na realidade
económica, às vezes, do que em algumas instituições nacionais ou
internacionais que diziam que Portugal não conseguia exportar mais”,
afirmou Paulo Portas, à margem do The Lisbon Summit, que decorreu
esta terça e quarta-feira em Cascais.

Esta reação surge depois de o FMI ter desvalorizado aquilo que
Portas diz ser o “porta-aviões da recuperação”, as
exportações.

Para o Fundo, o equilíbrio da balança externa é resultado da
dependência face à capacidade instalada das refinarias da Galp e da
compressão anormal das importações devido à crise doméstica e
não tanto um sinal inequívoco de que a economia está a mudar para
melhor em termos estruturais na área do comércio internacional.

O Fundo reconhece que “o ajustamento externo está a ocorrer a
um ritmo mais rápido do que se previa no programa”, mas diz logo
que “o ajustamento externo foi, em larga medida, resultado da
compressão das importações de bens não combustíveis e,
ultimamente, do crescimento das exportações de combustíveis”. As
exportações de combustíveis “mais do que duplicaram” desde
janeiro de 2009, diz.

O problema é que “esta dependência face à compressão nas
importações de produtos não combustíveis e às exportações de
combustíveis ameaça os ganhos até à data, quando as importações
recuperarem dos níveis baixos pouco normais e quando as refinarias
[da Galp] eventualmente esgotarem a sua capacidade”. Mais: “A
melhoria na balança de serviços é vulnerável a choques na procura
do turismo.” A.M.P., A.C.-M. e L.R.R.

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