Peso das exportações no PIB atinge o maior valor de sempre: 43%

INE confirma crescimento recorde de 2,8% no primeiro trimestre. Novo investimento disparou 8,9%, a melhor marca desde final de 1998.

O crescimento da economia portuguesa foi de 2,8% no primeiro trimestre, puxado por um impulso muito significativo nas exportações, de quase 10% face a igual trimestre do ano passado.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o crescimento de 9,7% das vendas ao exterior de bens e serviços é o mais forte desde final de 2013; é também o início de ano mais musculado desde 2010.

O peso das exportações no Produto Interno Bruto (PIB) sobe assim para 43,2% no primeiro trimestre, o maior valor de que há registo (desde 1995, pelo menos).

O INE também confirma o crescimento recorde da economia como um todo (os tais 2,8%), o mais elevado em quase dez anos.

A ajudar a economia está também o investimento total, que cresceu 5,5% no 1° trimestre face ao período homólogo, reforçando assim a inversão de tendência recente. O investimento esteve em contração entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2016. Antes disso, esteve fortemente deprimido, em quedas consecutivas, entre final de 2008 e início de 2013 (quase cinco anos abaixo de zero).

Recorde-se que a apoiar esta retoma do investimento, variável muito ligada à construção e reabilitação urbana, por exemplo, está o novo quadro de fundos europeus (Portugal 2020). A maioria dos projetos começou a receber o dinheiro no final do ano passado, início deste.

A Formação Bruta de Capital Fixo total, que é o novo investimento efetivamente realizado no período (sem a variação de existências, que reflete apreciações e depreciações de stocks), disparou 8,9%, a melhor marca desde final de 1998 (altura em que cresceu 13,7%).

Construção volta a aparecer

O INE mostra ainda que o sector da construção regressou com força, quer no investimento, quer no valor acrescentado sectorial.

A Formação Bruta de Capital Fixo da construção acelerou de 5,2% no 4º trimestre para 8,5% agora, o melhor registo desde início de 2002 (de 15 anos portanto).

O valor acrescentado da construção disparou 7,4% no primeiro trimestre, a melhor marca desde meados de 2000, isto depois de anos a fio de recessão.

Esta expansão de 7,4% no primeiro trimestre compara com 1,6% dos serviços, 4% na indústria e uma quebra de 4% na agricultura.

No entanto o seu contributo para o crescimento total da economia ronda os 0,3 pontos apenas. Isto acontece porque a construção está altamente desvalorizada. A preços correntes, o sector vale tanto hoje como valia em meados de 2012, mostram as séries do INE.

Mais procura externa

Mas as exportações é que explicam melhor a dinâmica expansionista da economia, atualmente. A aceleração foi de 2% homólogos no quarto trimestre para os tais 2,8% neste início de ano.

Segundo o instituto, "a aceleração do PIB no 1º trimestre de 2017 resultou do aumento do contributo da procura externa líquida, uma vez que a procura interna apresentou um contributo inferior ao do trimestre precedente".

"As exportações de bens aumentaram 9,2% no 1º trimestre, mais 2,6 p.p. que no trimestre anterior e as exportações de serviços apresentaram uma variação homóloga de 10,9%, mais 4,2 p.p. que no 4º trimestre", detalha o instituto. Esta forte subida nos serviços, muito ligada ao turismo e à realização de eventos, é a maior em quase dez anos, diz o INE.

Já a "desaceleração da procura interna resultou do comportamento do consumo privado que registou uma variação homóloga de 2,2% no 1º trimestre de 2017 (variação de 3% no trimestre anterior)."

Quanto às importações, estas "aceleraram ligeiramente, aumentando 8% em termos homólogos, após um crescimento de 7,7% no trimestre anterior", acrescenta o INE.

No investimento, o INE destaca o forte aumento de 8,9% na construção, mas também "o contributo positivo da FBCF em outras máquinas e equipamentos, que passou de uma variação homóloga em volume de 12,3%, no 4º trimestre, para 15%".

(atualizado às 12h35)

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