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Petróleo sobe em flecha. “Não haverá impacto perturbador nas nossas algibeiras”

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Portugueses terão de esperar uma semana para sentir eventuais impactos financeiros do ataque a duas refinarias na Arábia Saudita

A existir alguma consequência imediata da subida dos preços do petróleo na sequência dos ataques com drones a duas refinarias do gigante saudita Aramco em Abqaiq e Khurais na Arábia Saudita, os portugueses só sentirão o impacto nas suas carteiras quando forem abastecer o carro na próxima semana.

“Não vale a pena estarmos assustados porque não vai haver nenhuma tragédia em termos de subida dos preços de combustíveis”, garantiu o presidente da APETRO, António Comprido, em declarações aos jornalistas, sublinhando que “os mercados internacionais estão hoje melhor apetrechados para lidar com este tipo de choques”.

“Não vai faltar petróleo no mercado, mas é óbvio que isto causa nervosismo nos mercados financeiros e toda a gente já esperava que houvesse uma subida de preços esta segunda-feira. Queremos acreditar que não será muito duradoura e que se irá esbater ao longo dos próximos dias, de modo a que não venhamos a sofrer um impacto muito grande.”, explicou ainda o responsável, deixando um exemplo: “10% no aumento do preço do crude (que não pesa mais do que 20% no preço final dos combustíveis), significaria um impacto de 2% na venda ao público”.

“Não haverá um impacto altamente perturbador nas nossas algibeiras enquanto consumidores de gasolina e gasóleo. Mas a haver um ajustamento de preços será na ordem de grandeza daqueles que estamos habituados nas subidas e descidas semanais”, disse ainda António Comprido.

De acordo com a ENSE, esta segunda-feira, a gasolina estava para venda nas gasolineiras portuguesas por 1,516 euros por litro, acima dos 1,480 euros por litro registados a 9 de setembro. No gasóleo, os preços em início de semana situavam-se nos 1,379 euros por litro, mais caro do que 1,342 euros registados há uma semana.

Fonte do setor petrolífero, disse ao Dinheiro Vivo que os preços em Portugal são ajustados semanalmente, pelo que “o efeito chegará, pontualmente, à meia-noite de domingo para segunda, como todas as semanas”.

António Comprido confirma que “pelo regime de funcionamento em Portugal, em que os preços de venda ao público refletem as cotações da semana anterior, vamos ter de esperar pelas cotações ao longo desta semana para termos uma noção do que acontecerá na próxima semana”. Mas admitiu: “Ataques como este são sempre um risco. É um mercado volátil. Às vezes basta um tweet, nem é preciso um ataque a uma refinaria, para influenciar os preços”.

Entretanto, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) emitiu um comunicado a informar que está pronta para mobilizar as reservas de petróleo nacionais caso se prolongue o corte temporário para metade do fornecimento da Arábia Saudita, que representa 5% da oferta mundial de petróleo. A ENSE garante que “dispõe de reservas estratégicas que podem ser mobilizadas para suprir uma falta eventual” e precisa que tem “à sua disposição 538,1 mil toneladas de crude em reservas físicas e 373,5 mil toneladas em tickets que representam direitos de opção sobre crude armazenado em Portugal e noutros países da União Europeia”.

As ondas de choque que chegam do Médio Oriente

Depois de duas refinarias do gigante saudita Aramco em Abqaiq e Khurais terem sido alvo de um ataque, o fornecimento de petróleo da Arábia Saudita, maior exportador mundial, sofreu temporariamente um corte para metade (cerca de 5,7 milhões de barris diários)

Neste contexto, o barril de petróleo Brent para entrega em novembro abriu esta segunda-feira em forte alta, a cotar-se a 66,45 dólares no Intercontinental Exchange Futures (ICE) de Londres, mais 6,23 dólares do que no fim da sessão anterior. A meio da sessão, o petróleo Brent continuava a subir 8,95% para 65,62 dólares, no mercado de futuros de Londres. O barril de petróleo para entrega em novembro estava a subir 5,39 dólares no International Exchange Futures (ICE) face ao fecho de sexta-feira, quando terminou a 60,23 dólares.

O Brent, de referência na Europa, subiu quase 20% durante a noite passada na sessão eletrónica, depois dos ataques com drones contra duas refinarias sauditas terem reduzido em mais de 5% o fornecimento global de petróleo.

A Rússia afirmou esta segunda-feira que não prevê qualquer medida de emergência no âmbito da plataforma ampliada da OPEP e outros produtores de petróleo (conhecida como OPEP+) devido ao atentado contra as instalações da petrolífera estatal saudita Aramco.

A Aramco, líder mundial, indicou que levará semanas a restabelecer as suas operações, fazendo temer graves consequências para o fornecimento de petróleo a nível mundial. Segundo a Aramco, os ataques, reivindicados pelos rebeldes iemenitas Huthis e que os Estados Unidos atribuem ao Irão, reduziram a produção de petróleo em cerca de 5,6 milhões de barris diários.

Perante as inquietações com a escalada dos preços, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a libertação de reservas de petróleo do seu país, caso seja necessário, para garantir o fornecimento mundial.

Entretanto, Washington acusou o Irão de ter “lançado um ataque sem precedentes contra o fornecimento energético mundial” e autorizou a libertação de reservas de petróleo do país para que, se necessário, as mesmas garantam o fornecimento mundial, atingido por estes ataques.

Os ataques foram reivindicados pelos rebeldes iemenitas Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita.

Os Huthis reivindicam regularmente lançamentos de mísseis com drones contra alvos sauditas e afirmam que agem como represália contra os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen em guerra desde 2015.

Com Lusa

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