Petróleo volta a escalar nos mercados internacionais após ataque a bases dos EUA

Mercados estão em queda na Europa esta manhã, depois de terem fechado no vermelho na Ásia.

A cotação dos futuros do barril de Brent volta esta quarta-feira a escalar com os mercados a reagirem após retaliação do Irão contra bases norte-americanas no Iraque na sequência da morte de Qassem Suleimani, comandante militar iraniano, no final da última semana.

O preço do barril de Brent voltou a tocar os 70 dólares, retomando já esta manhã (cerca das 8h, hora de Lisboa) um valor pouco acima dos 69 dólares por barril, a valorizar pouco mais de 1% face à cotação do dia anterior.

Já o crude WTI seguia há pouco a a subir 0,8% para os 63,22 dólares o barril.

Também o ouro, com uma reação em alta nos últimos dias ao agudizar da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irão, segue com uma cotação acima dos 1587 dólares por onça, subindo 0,85% nas cotações publicadas pela agência de informação económica Bloomberg.

Os mercados de ações, na Ásia, reagiram com descidas acentuadas dos principais índices do Japão, Coreia do Sul, China continental e Hong Kong.

Também a bolsa de Lisboa iniciou o dia em queda. O PSI 20 abriu a perder 0,4%. Os principais índices das bolsas espanhola, francesa, alemã e britânica seguem também no vermelho. Na Alemanha, o Dax 30, responde também a um resultado pior que o esperado no indicador das encomendas à indústria de novembro, a cair 6,5% face há um ano e 1,3% em termos mensais, segundo os dados conhecidos esta quarta-feira.

A reação dos investidores à retaliação iraniana poderá, no entanto, alterar-se durante o dia das bolsas nos mercados europeu e, mais tarde, norte-americano. O possível impacto do conflito entre Washington e Teerão tem tido reações mistas, com oscilações significativas dos preços do petróleo nos últimos dois dias.

A expectativa é que os investidores permaneçam "cautelosos e consistentes", de acordo com Nigel Green, do grupo deVere, numa nota de análise desta manhã em que admite, apesar de tudo, que a tensão no Médio Oriente supere a que resulta da guerra comercial entre Estados Unidos e China do ponto de vista do sentimento de incerteza num momento de aproximação entre Washington e Pequim, com a antecipação de um mini-acordo dia 15.

"Em muitos aspetos, a situação Estados Unidos-Irão, ultrapassou agora a guerra comercial China-EUA como principal risco para os mercados financeiros. Tal reflete-se na atual volatilidade", refere o analista, desaconselhando vendas de pânico. "Aquilo que sabemos é que no longo prazo o desempenho dos mercados é bastante previsível: eles sobem".

Outro analistas entendem também que a reação inicial dos mercados poderá ser excessiva e objeto de reavaliação. Para Paul Donovan, da UBS, o impacto económico que possa verificar-se não será comparável ao que ocorreu no início da década de 1970, aquando do choque da guerra israelo-árabe. "É necessário menos petróleo para produzir cada dólar do PIB global hoje em dia", lembrou num podcast de análise matinal. Agora, "o principal impacto poderá ser a perceção de inflação mais elevada pelos consumidores, o que poderá significar salários mais altos".

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