Energia

Petrolíferas aconselhadas a reforçar stocks de combustíveis para enfrentar greve

Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

As necessidades médias diárias de consumo em Portugal são de cerca de 2,9 mil toneladas de gasolina e 13,6 mil toneladas de gasóleo.

O nível de risco continua a verde, o que significa que está “tudo a funcionar normalmente no Sistema Petrolífero Nacional”, mas a menos de duas semanas da greve de motoristas de matérias perigosas, convocada para 12 de agosto, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) decidiu recomendar “a todos os postos de abastecimento situados em território nacional, o reforço dos stocks de combustível, acautelando desta forma as existências”. Falta ainda, no entanto, o governo tomar uma decisão sobre os serviços mínimos em vigor durante a greve.

“Este comunicado é apenas uma recomendação, não configurando uma obrigação legal”, frisou a ENSE, “reconhecendo as dificuldades que esta recomendação possa significar para algumas empresas, e dado o aproximar da data de início da greve dos motoristas de matérias perigosas”. As necessidades médias diárias de consumo em Portugal são de cerca de 2,9 mil toneladas de gasolina e 13,6 mil toneladas de gasóleo.

Durante a última greve, em abril, a ENSE chegou a decretar primeiro o nível de risco amarelo, passando depois para o laranja (ou alto), o segundo mais elevado da escala, com a “existência de efeitos negativos no sector […] resultantes de uma situação anómala”. Nessa altura, o impacto ainda não era ainda crítico, mas poderia ter atingido essa situação sem “medidas de mitigação do problema”. “Deverá existir uma monitorização contínua da situação e serem preparadas medidas cautelares para eventual ativação de urgência”, dizia a ENSE durante a última greve, que durou quatro dias e deixou muitos postos de abastecimento do país com os depósitos e as mangueiras secas. A situação levou mesmo o governo a decretar o estado de crise energética.

Se desta vez a greve se prolongar por mais dias, o nível de risco poderá passar a vermelho (ou iminente), equivalente a uma “grande disrupção no sector petrolífero que leva à necessidade de utilização das reservas petrolíferas e à ativação do estado de emergência”. Neste nível de risco mais grave, toda a operação comercial de distribuição e venda de combustíveis passa a ser controlada pela ENSE e pelo governo, e não pelas empresas do setor.

Escondidas em locais secretos um pouco por todo o país as reservas de combustíveis ascendem a 2,5 milhões de toneladas, intactas e prontas a serem usadas, e que equivalem ao consumo atual do país durante 90 dias (sem produzir e sem importar). Já o normalmente está disponível para comercialização ronda as 520 mil toneladas.

“Tendo por base os valores totais de introduções ao consumo registados em 2018 junto da ENSE, as necessidades médias diárias de consumo em Portugal são de cerca de 2,9 mil toneladas de gasolina, 13,6 mil toneladas de gasóleo, 4,1 mil toneladas de JET, 1,4 mil toneladas de GPL e de 600 toneladas de fuel, sendo que neste momento as reservas comerciais estão estimadas em aproximadamente 520 mil toneladas e as reservas estratégicas a cargo da ENSE ascendem a mais de 2.000.000 (dois milhões de toneladas) de produtos carburantes”, explica a entidade governamental.

Na semana passada a ENSE avançou com a publicação da lista dos postos de combustível que integram, a nível nacional a Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA). No total, a lista para os cidadãos se precaverem integra 325 postos de abastecimento, 48 deles localizados no distrito de Lisboa. No Porto estarão 41 postos de abastecimento de sobreaviso. Já no Algarve, no distrito de Faro, onde milhares de turistas vão estar de férias no mês de agosto, são apenas 22 (menos de metade face à capital) as bombas previstas na rede de emergência da ENSE. Para os veículos prioritários, a rede de emergência reserva 56 pontos exclusivos para abastecimento.

Para os cidadãos em geral (não prioritários), e tal como aconteceu na greve de abril, os postos de abastecimento da REPA só podem vender até à quantidade máxima de 15 litros de produto por cada abastecimento. Fora da rede de emergência, a lei fixa em 25 litros o volume máximo de gasolina ou gasóleo que cada bomba pode fornecer.

Se quiserem armazenar combustível, o limite fica nos 10 litros por pessoa, sendo obrigatório ter um recipiente adequado para o efeito. O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, aconselhou os portugueses a começarem já a “abastecer” as suas viaturas para “se precaverem”. “Temos todos de nos preparar. Era avisado podermo-nos abastecer para enfrentar com maior segurança o que vier a acontecer”, disse

Caso o Conselho de Ministros volte a declarar crise energética em agosto, o governo pode mandar, através do Ministério da Economia, que os postos de abastecimento da rede de emergência reservarem para uso exclusivo das entidades prioritárias: 10 mil litros de gasóleo (ou 20% da capacidade de armazenagem, caso seja inferior a 50 mil litros); mil litros de gasolina super 98 aditivada; três mil litros de gasolinas sem chumbo; e dois mil litros de GPL-auto.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Lisboa. MÁRIO CRUZ/LUSA

Défice externo até julho agrava-se para 1633 milhões de euros

EDP. (REUTERS/Eloy Alonso)

Concorrência condena EDP Produção a multa de 48 milhões

Secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.
Maria João Gala / Global Imagens

Secretário de Estado da Proteção Civil demitiu-se

Outros conteúdos GMG
Petrolíferas aconselhadas a reforçar stocks de combustíveis para enfrentar greve