PIB podia crescer 3% se todos pagassem a 60 dias

Empresas perdem com atrasos do Estado
Empresas perdem com atrasos do Estado

As empresas portuguesas demoram 85 dias a pagar as suas dívidas; o Estado demora 133 dias a regularizar pagamentos e é o “responsável por uma cultura de pagamentos em atraso”, denuncia um estudo liderado por Augusto Mateus para a Associação Cristã de empresários e gestores.

O problema não é novo, mas o estudo sugere que “se todos os agentes privados conseguissem pagar a 60 dias, a economia iria ter uma injeção de liquidez que poderia fazer subir o PIB em 3% e gerar cerca de 120 mil postos de trabalho só no primeiro ano de cumprimento”.

Este estudo dá conta de que os incobráveis atingiram em 2012 os seis mil milhões de euros, o que corresponde aproximadamente a 4% do PIB e a 8% do empréstimo do programa de assistência financeira, degradando “de forma progressiva e cumulativo” a vida das empresas que já sofrem com “o efeito da recessão, do agravamento da carga fiscal e das restrições de financiamento corrente (volume do crédito em baixa e taxas de juro em alta)”.

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Mas não fica por aqui, o Estudo revela que entre 2006 e 2011 o atraso nos pagamentos aumentou 12 dias, de 68 para 80. Nesses cinco anos, e devido a este atraso nos pagamento, foram destruídos 72 mil empregos, 2,9 mil milhões de euros no Valor acrescentado bruto e 13,3 mil milhões de euros no valor bruto de produção da economia.

E o Estado é o maior perpetuador desta situação, dizem a ACEGE, CIP e IAPMEI. “Estamos preocupados com a dívida do Estado às empresas que já regista, segundo os últimos dados, 3 mil milhões de euros. Se o Estado pagasse o que deve e começasse a pagar a tempo e horas, as empresas sairiam do sufoco em que se encontram”, assinalou António Saraiva, presidente da CIP, à Lusa.

As três entidades revelam que o tempo médio de pagamento em Portugal é de 85 dias e declaram que se faça cumprir a lei que obriga ao pagamento das dívidas num máximo de 60 dias.

Para além do pagamento atempado, o estudo sugere “a montagem de um programa de curto prazo suficientemente coerente e completo que permita às PME reverter a situação global atual de degradação imposta” por este efeitos destrutivos.

Como? Através de “um acompanhamento temporário para conseguirem estabilizar o seu quadro de funcionamento e poderem trilhar um caminho exequível de recuperação no médio prazo” que se aplique a “empresas economicamente viáveis e dotadas de suficiente capacidade competitiva”.

“A melhoria das condições de financiamento das PME constitui, por todas estas razões, um objetivo crucial no horizonte da conclusão do PAEF”, revela o mesmo estudo.

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