Educação

PIB português vai perder 3,5 mil milhões com iliteracia em 2015

Não saber ler ou escrever vai custar 4,02 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros) ao PIB português em 2015. Os cálculos são da World Literacy Foundation (WLF) e foram tornados públicos na segunda-feira, através de um <a href="http://worldliteracyfoundation.org/wp-content/uploads/2015/02/WLF-FINAL-ECONOMIC-REPORT.pdf" target="_blank">relatório</a>.

Há 796 milhões de pessoas nesta condição em todo o mundo, o que representa um custo de 1,2 biliões de dólares para a economia global. Portugal ocupa o lugar 37, imediatamente atrás da Grécia.

A fórmula para chegar a este montante baseia-se nas estruturas das economias dos diferentes países. Nos países desenvolvidos, este custo representa 2% do PIB, percentagem que desce para 1,2% nos emergentes (como Brasil, Rússia e China) e 0,5% nos países em desenvolvimento (como Angola, Guiné-Bissau e Moçambique).

Estas estimativas, segundo o estudo, refletem baixas despesas em serviços sociais como saúde e bem-estar e sistema de justiça nos países mais desenvolvidos. Estes países, por isso, têm maiores custos com a iliteracia, que pode reduzir a produtividade. São 898 mil milhões de dólares por ano, praticamente quatro vezes mais do que o custo para as economias emergentes (294 mil milhões de dólares).

Os Estados Unidos são o país com mais custos, 362,49 mil milhões de dólares, mais do que China e Japão juntos, que ocupam, respetivamente, a segunda e terceira posições. Angola é o segundo país em desenvolvimento onde a literacia custa mais em relação ao PIB, 530 milhões de dólares, segundo as estimativas.

“É evidente que uma pessoa completamente iletrada ou com iliteracia funcional sofre este impacto durante a vida no emprego e na capacidade de ganhar um salário. Isso é uma verdade para todos os países e economias”, refere o presidente da fundação WLF, Andrew Kay, em declarações ao jornal The Guardian.

Andrew Kay defende que é necessário “criar maior consciência e educação sobre a iliteracia, sobretudo na importância de os pais lerem para os filhos quando são mais novos. Atualmente sabemos que há mais distrações – digitais e outras – que fazem com que os pais leiam menos para os próprios filhos”. Uma pessoa iletrada ganha menos 42% face aos restantes, defende o estudo.

O que é um iletrado?

Há nove situações que determinam se uma pessoa é iletrada ou se tem iliteracia funcional:

– ler o folheto de um medicamento;

– ler a informação nutricional de um produto alimentar;

– acompanhar um livro de cheques;

– preencher uma proposta de trabalho;

– ler e responder a correspondência no local de trabalho;

– preencher papéis para o crédito à habituação;

– ler a declaração de um banco;

– comparar o custo de dois produtos para definir qual deles tem a melhor oferta;

– verificar o troco certo no supermercado.

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