Pires de Lima não afasta mais cortes sobre funcionários públicos

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A pergunta a Pires de Lima foi direta e pretendia apurar se o Governo português tinha alguma intenção de aplicar ainda mais austeridade no Estado, cortando novamente salários. A resposta do ministro da Economia ao diário espanhol El Pais, numa entrevista ontem publicada e que pode ser consultada online, também não foi equívoca. A hipótese de cortes adicionais nos salários não está descartada.

“Com as medidas incluídas no Orçamento do Estado para 2014, espero que não sejam necessários mais sacrifícios no setor público. Não é possível cumprir o objetivo de baixar os impostos em 2015 sem controlar a despesa pública”, refere o ministro ao jornal espanhol.

Leia também: Passos Coelho diz que muitos cortes são “transitórios”

Depois de três anos de reduções salariais entre 3,5% e 10%,que se aplicavam a partir dos 1500 euros, os trabalhadores do Estado tiveram, já este mês, um corte agravado, entre 2,5% e 12%, nos salários a partir dos 675 euros. Segundo a consultora PricewaterhouCoopers, os cortes previstos para este ano levarão a que, no caso dos ordenados mais elevados, a perda de salário real entre 2010 e 2014 possa chegar quase aos 19%.

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que muitos dos cortes realizados pelo Governo serão “transitórios” na medida da recuperação da economia, mas avisou que não regressarão “os níveis de riqueza ilusória”. Um discurso que não destoa neste aspeto das respostas de Pires de Lima ao jornal espanhol, na qual afirma que, com o fim do programa de assistência, a vida dos portugueses não vai “mudar automaticamente”, e que seria uma “ilusão” esperá-lo. Mas afirma que “vamos recuperar uma parte da nossa economia”.

Quanto ao setor privado, Pires de Lima não tem dúvidas que o ajustamento já foi realizado e que o salário mínimo (485 euros) até devia ser aumentado. “Em minha opinião, haveria que actualizar o salário mínimo no próximo ano”.

O ministro da Economia rejeita totalmente um segundo resgate e, tal como Passos Coelho, deixa no ar as duas outras hipóteses: saída “limpa” à irlandesa ou programa cautelar, algo que nenhum país resgatado experimentou até ao momento.

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