Plano Juncker

Plano Juncker injeta 2 mil milhões de euros em 28 projetos em Portugal

Jean-Claude Juncker e António Costa. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes
Jean-Claude Juncker e António Costa. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

BEI aprovou empréstimos que depois mobilizam 5,5 mil milhões de euros, com a adesão dos privados. Portugal é o quarto país mais apoiado da Europa.

Entre 2015 e 2017, o Plano de Investimento para a Europa, o chamado Plano Juncker, emprestou a Portugal cerca de 2 mil milhões de euros, dinheiro barato que foi canalizado para 28 projetos de referência, revelou esta quinta-feira, Román Escolano, o vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI) com a tutela de Portugal.

Em percentagem do produto interno bruto (PIB), considerando todo o dinheiro já mobilizado ou prometido (pelos privados), Portugal surge como o quarto país mais apoiado por esta iniciativa, diz o balanço oficial no final de 2017, agora divulgado.

Na apresentação do balanço da atividade do BEI e do Plano Juncker em 2017, que decorreu em Lisboa, Escolano referiu que “desde que o Plano Juncker foi lançado em 2015, o BEI aprovou financiamento para 28 projetos em Portugal ao abrigo desta iniciativa que ascendeu a 2 mil milhões de euros que espera-se venham a mobilizar cerca de 5,5 mil milhões de euros de investimento adicional”.

“Adicional” significa que em cima do financiamento público do Plano Juncker — realizado em “condições muito favoráveis”, a taxas de juro muito baixas — os projetos angariam financiamento ou investimento privado, e este acaba por ser maioritário.

O responsável do BEI destacou alguns exemplos em que o BEI prestou apoio financeiro. Na indústria farmacêutica referiu os Laboratórios Basi (Mortágua, Viseu). Mas falou também da Science4you (brinquedos inovadores), que recebeu um apoio de 10 milhões de euros; e do Campus da Universidade Nova (SBE), em Carcavelos, que beneficiou de 16 milhões de euros ao abrigo do Plano Juncker.

O responsável espanhol diz que a área da inovação é a mais saliente, com o Plano a aprovar 1,1 mil milhões de euros para esta área, para sectores como “indústria aeronáutica, energia, saúde e educação”.

“Estas operações de financiamento estão a apoiar o crescimento económico e o emprego em diferentes regiões do país”, acrescenta.

Considerando todo o dinheiro mobilizado com o financiamento do BEI/Plano Juncker, Portugal é o quarto país mais apoiado pela iniciativa europeia considerando o investimento mobilizado em relação ao PIB. O país mais apoiado segundo este critério é a Estónia, seguindo-se Grécia, Bulgária, Portugal e Espanha.

Atividade do grupo BEI também cresce

O BEI é um parceiro de décadas da economia portuguesa. Além de financiar em parte o Plano Juncker (que absorve 19% do dinheiro do BEI), o universo BEI também empresta dinheiro através dos seus próprios canais e iniciativas.

Tudo somado, isto é, ao nível do Grupo BEI — composto pelo BEI e pelo FEI (Fundo Europeu de Investimento) –, foi emprestado à economia portuguesa, em 2017, mais de 1,9 mil milhões de euros, apoiando um total de 25 projetos.

Em termos absolutos, Portugal foi o décimo país mais apoiado da União Europeia a 28 no ano passado. “Este financiamento representou cerca de 1% do PIB português”, o que faz do país o sexto mais apoiados em termos relativos (face à dimensão da economia doméstica), observou o vice-presidente.

Aqueles 1,9 mil milhões de euros injetados em 2017 foram repartidos por quatro áreas.

O BEI é um banco grossista que passa os seus fundos de rating máximo AAA (taxas de juros muito baixas, hoje quase zero) aos bancos comerciais locais, no sentido de estes depois os redistribuírem pelas empresas portuguesas.

As PME receberam mil milhões em financiamento e contratos de prestação de garantias bancárias. “Através deste financiamento, o grupo BEI apoiou, no ano passado, 6.600 empresas portuguesas, que empregam mais de 260 mil pessoas.”

“O financiamento do Grupo BEI em 2017 destinou-se maioritariamente a pequenas e médias empresas”, com este sector a absorver 54% do dinheiro disponibilizado.

Em segundo lugar vem o segmento “ambiente”, com 360 milhões de euros. Em terceiro, a vertente “inovação”, com 295 milhões de euros. Os empréstimos baratos para construir “infraestruturas” ascenderam a 228 milhões de euros, é o quarto sector mais importante, diz o BEI.

(atualizado às 12h45 com mais informação e declarações de Román Escolano)

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