Guerra comercial

PM chinês apela a livre comércio face a escalada na guerra comercial com os EUA

Li Keqiang

Li Keqiang voltou a prometer mais espaço para as empresas estrangeiras no país e a inetnção de colaborar na reforma da OMC.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apelou esta quarta-feira ao apoio global ao livre comércio face à escalada nas disputas comerciais entre Pequim e Washington, suscitadas pelas políticas da China para o setor tecnológico.

Num discurso proferido na “Reunião Anual de Novos Campeões”, conhecido como ‘Davos de verão’, na cidade chinesa de Tianjin, Li defendeu que as disputas devem ser resolvidas através de consultas e apelou ao multilateralismo.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem taxas alfandegárias sobre um total de 200 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) de importações oriundas da China. Pequim afirmou que vai retaliar com “medidas sincronizadas”.

“É essencial defendermos os princípios básicos do multilateralismo e livre comércio”, afirmou o primeiro-ministro chinês. “O unilateralismo não oferece solução viável”, disse.

As palavras de Li Keqiang ilustram os esforços de Pequim para se posicionar como defensor do comércio internacional e do multilateralismo, face às queixas de Washington ou Bruxelas, de que as políticas industriais do país violam os compromissos de abertura do mercado.

Em causa está o plano “Made in China 2025”, impulsionado pelo Estado chinês, e que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA condenam a transferência forçada de tecnologia por empresas estrangeiras, em troca de acesso ao mercado, a atribuição de subsídios a empresas domésticas e obstáculos regulatórios que protegem os grupos chineses da competição externa.

Em julho passado, Trump impôs já taxas de 25% sobre 50 mil milhões de dólares (43 mil milhões de euros) de bens chineses, e Pequim retaliou com impostos sobre o mesmo montante de bens importados dos EUA.

Trump ameaça agora impor taxas punitivas sobre os restantes 267 mil milhões de dólares de produtos importados da China, passando a abranger a totalidade das importações a partir da China, caso Pequim não atenda as suas exigências de pôr fim a práticas comerciais “injustas”.

Li reconheceu, indiretamente, as queixas sobre a regulação do comércio global e afirmou o apoio chinês à reforma da Organização Mundial do Comércio.

“Acreditamos que as regras internacionais devem ser defendidas e, ao mesmo tempo, melhoradas, para que se mantenham a par das mudanças”, afirmou.

A administração Trump considera a OMC antiquada e incapaz de lidar com as políticas industriais “predatórias” de Pequim. A China concordou, este ano, em trabalhar com a União Europeia numa reforma do organismo.

Li Keqiang prometeu ainda que Pequim não vai desvalorizar a moeda para estimular as exportações. A cotação do renminbi tem vindo a cair face ao dólar ou ao euro, continuamente, desde o início das disputas comerciais. No entanto, o banco central chinês interveio, nas últimas semanas, para travar a queda.

“A China nunca seguirá o caminho de desvalorização cambial para fomentar as exportações”, afirmou Li, assegurando que o país criará condições para manter o valor do renminbi estável.

O primeiro-ministro chinês prometeu ainda “melhorar o ambiente empresarial” para as empresas estrangeiras, reafirmando os compromissos da China em dar tratamento igual às firmas estrangeiras e domésticas, uma promessa feita pelo país quando aderiu à OMC, em 2001, mas que grupos empresariais e governos estrangeiros afirmam que Pequim não cumpre.

A União Europeia iniciou uma ação judicial na OMC, em junho passado, devido às regras para licenciamento de tecnologia na China, que considera beneficiarem as empresas locais em detrimento das estrangeiras.

“Vamos garantir que todas as empresas, chinesas ou estrangeiras, desde que estejam registadas na China, serão tratadas de forma igual”, afirmou.

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