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PME a crescer mas com emprego ainda abaixo de 2008

Relatório Anual das PME Europeias 2017/2018 foi apresentado em conferência de imprensa em Graz, na Áustria
Relatório Anual das PME Europeias 2017/2018 foi apresentado em conferência de imprensa em Graz, na Áustria

Relatório Anual das PME Europeias 2017/2018 mostra que, apesar do desenvolvimento dos últimos anos, Portugal permanece atrás da média europeia

Portugal é um seis países da União Europeia onde, em 2017, as pequenas e médias empresas ainda não tinham recuperado os níveis pré-crise quer em emprego quer em valor, a par da Espanha, Itália, Grécia, Chipre e Croácia. Todos os restantes Estados-membros haviam já recuperado pelo menos num dos indicadores. Uma situação que se deve ter alterado em 2018, admite a Comissão Europeia, no que ao valor acrescentado bruto (VAB) diz respeito, mas, no emprego, Portugal permanece atrás da média. E ainda não será em 2019 que a situação se inverte.

Os dados são do Relatório Anual das PME Europeias 2017/2018, hoje apresentado pela Direção-Geral do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME em Graz, na Áustria. Um documento que mostra que as PME representam a “espinha dorsal” da economia não-financeira da Europa, assegurando dois terços do emprego e 56,8% do VAB, um peso que em Portugal é, ainda, mais significativo: 78% e 68,4% respetivamente. Dos 2,7 milhões de novos postos de trabalho que deverão ser criados, em 2018 e 2019, Portugal contribui com 144.600, um aumento de 5,7%, acima dos 2,9% de médio na Europa. Quanto ao valor acrescentado bruto, os dados apontam para um acréscimo de 10,6% em Portugal versus os 8,7% europeus.

A questão é que, mesmo assim, a produtividade média das PME nacionais permanece bem abaixo. Ronda os 22 mil euros por trabalhador, “metade da média europeia”, sublinha o relatório de Bruxelas. Questionado pelo Dinheiro Vivo, Ludger Odenthal, diretor de políticas da DG Grow, e um dos responsáveis pelo estudo, destaca o desenvolvimento “muito positivo” do país nos últimos anos. “Não podemos esquecer que foi um dos países que mais sofreu com a crise e por isso tem um longo caminho ainda a percorrer”, frisa. Os atrasos nos pagamentos do Estado e a excessiva burocracia nas compras públicas são os fatores negativos principais que aponta. “Embora Portugal tenha introduzido medidas para melhorar a situação dos contratos públicos desde 2008, há, ainda, desafios significativos. Por exemplo, os requisitos para a apresentação de propostas são, ainda, onerosos e frequentemente os contratos são atribuídos diretamente”, pode ler-se no documento. Que preconiza a necessidade de serem tomadas medidas adicionais de apoio à internacionalização, bem como nas áreas dos auxílios estatais e das compras públicas.

Ao nível das prioridades, o relatório de Bruxelas fala num sistema judicial “lento e congestionado”, que leva a que, apesar das melhorias introduzidas, o tempo necessário para concluir os procedimentos de insolvência seja ainda “excessivo”. O financiamento continua a ser um problema. “Em termos de produtividade e acesso a empréstimos, as PME [portuguesas] podem ser prejudicadas devido ao seu tamanho relativamente pequeno. O acesso ao financiamento e capital próprio precisa ser melhorado”, pode ler-se no documento. O problema é que a “elevada incidência de empréstimos não produtivos, apesar do desenvolvimento positivo neste campo, ainda limita a capacidade de empréstimo dos bancos e continua a ser uma questão a ser abordada”.

Para Irmfried Schwimann, responsável da Direção-Geral do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME (DG-Grow), os números do Relatório Anual das PME atestam que estas empresas “são o motor da economia europeia e não podem ser desvalorizadas”. Na apresentação do documento, Irmfried Schwimann destacou o “outlook muito positivo” para as PME em 2018 e 2019, mas lembrou que há “muita incerteza” no panorama do comércio internacional, seja por via dos efeitos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, sem pelos desafios que o brexit acarreta.

Sobre o mercado único, “mercado chave para as PME”, já que representa 70% das suas vendas e assegura “um número imenso” de postos de trabalho, Irmfried Schwimann destacou que há ainda muito a fazer no seu alargamento aos serviços. “Não temos que distinguir bens e serviços, precisamos de começar a pensar de outra forma e de melhorar muito o acesso ao mercado único também para os serviços. Há aqui um potencial enorme”, frisou.

  • * A jornalista viajou a convite da Comissão Europeia
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