Ambiente

“População precisa de se adaptar e saber viver com recursos existentes”

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente
João Matos Fernandes, ministro do Ambiente

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, destacou hoje, no Porto, que a população precisa de se adaptar e saber viver com os recursos existentes.

“A sociedade de bem-estar onde chegamos é uma sociedade, quer queiramos quer não, construída a partir de matérias primas baratas e energia barata. Admito que isto até fosse possível para um planeta com três mil milhões de habitantes (…). Quando não parece haver grandes duvidas de que vamos ser no planeta nove mil milhões de pessoas em 2050, com uma percentagem crescente de pessoas que pertence à classe média, o que vos posso garantir é que o nível de bem-estar vai acabar muito depressa”, disse.

Para o ministro, “não é nenhum ‘armageddon’, mas vai mesmo acabar muito depressa” e, por isso, é preciso mudar.

Matos Fernandes, que falava na cerimónia de encerramento dos Green Project Awards, que decorreu no edifício da Alfândega, sublinhou que a população precisa de se adaptar e “saber viver com os recursos” que existem.

Segundo Matos Fernandes, a solução para ultrapassar o problema passará por “saber criar riqueza de outra forma”, bem como “criar emprego de outra forma” e conseguir alcançar bem-estar “de forma diferente” da que temos.

Se não for assim, vincou, “tudo isso vai degradar-se dramaticamente”.

Para que a mudança aconteça, “temos que ser muito mais eficientes, temos de usar muito menos recursos para podermos ter os bens que são o que compõem o nosso bem-estar”, sustentou.

O ministro considerou ainda que há necessidade de as pessoas deixarem “decididamente de ser titulares, donos desses bens”, porque só assim será possível “garantir” que é possível utilizar esses mesmos bens e que “eles continuam aí para ser usados”.

Também presente nesta sessão dos Green Project Awards, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, considerou que não há hoje “nenhuma dúvida de que o futuro e a verdadeira mudança geracional ao nível do desenvolvimento sustentável se fazem sobretudo nas cidades”, a quem “compete em primeiro lugar desenvolver políticas sustentáveis”.

“O nosso programa de governação para este mandato no Porto tem como um dos eixos fundamentais a sustentabilidade demográfico, social, económico e ambiental”, reafirmou, acrescentando que a autarquia tem já concluído “o primeiro ‘draft’ do Road Map para economia circular”.

Segundo o autarca independente, no desenvolvimento deste documento foram envolvidos “mais de 80 ‘stakeholders’ da cidade em dois ‘workshops’ participativos, juntamente com vários departamentos municipais, empresas municipais e juntas de freguesia”.

“Este Road Map servirá para identificar as áreas chave e práticas circulares que devem ganhar escala através da facilitação e envolvimento do município do Porto”, disse.

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