Porque é que Portugal ainda usa tanto as centrais a carvão?

Em 2015, a produção nas centrais elétricas a carvão até novembro aumentou 27% em Sines e 33% no Pego, as duas únicas centrais a carvão no país.

Portugal já só tem duas centrais a carvão, uma da EDP em Sines e outra da Tejo Energia no Pego e importa 5,5 milhões de toneladas de carvão por mês da América Latina, Cuba e África, segundo dados do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG). Desde que fechou a mina do Pejão, no Douro, em 1994, não há qualquer produção nacional. Nem há sequer reservas que cheguem para explorar como tem a Inglaterra, a Alemanha ou mais ainda a China e a Índia.

Ambas têm contratos com o Estado que estão quase a terminar. A da EDP em Sines em 2017 e a da Tejo Energia, no Pego, em 2021, o que pode ditar o seu encerramento. Mas para que isso aconteça é preciso usar mais as centrais de ciclo combinado, a gás, e o gás na Europa não está tão barato como nos EUA. Aliás, é mais caro que o carvão. “Produzir um MWh com gás custa 70 dólares e com carvão custa 40 a 45 MWh”, explicou o especialista em energia, Nuno Ribeiro da Silva.

Não é, por isso, de admirar que, num cenário em que as renováveis estejam a funcionar menos - como aconteceu até novembro do ano passado em Portugal - as empresas prefiram recorrer ao carvão, até porque é uma central que está sempre ligada, mesmo quando não está a produzir, o que é raro. “Como choveu menos e fez menos vento em 2015, as barragens e as eólicas estiveram quase paradas, pelo que, comparando com o ano anterior, a produção nas centrais a carvão aumentou 27% em Sines e 33% no Pego”, adiantou Francisco Ferreira.

De facto, apesar de Portugal ser um exemplo nas renováveis, para que elas produzissem todo o consumo nacional era necessário haver ainda mais eólicas e barragens e centrais solares. Porque o tempo é imprevisível e uma central a carvão é do mais previsível que existe.

O gerente da mina de Kellingley, Shaun McLoughlin, também está preocupado com isso. “Não vejo como vamos substituir a energia que era produzida a carvão”, disse ao Financial Times pouco antes da mina fechar. A mesma notícia acrescentava que uma das possibilidades para Inglaterra podia ser desligar as grandes indústrias nas horas de pico. Mas até pode não ser preciso. No terceiro trimestre do ano passado, as renováveis ultrapassaram o peso do carvão na produção elétrica naquele país. Ou seja, pode ser difícil acabar com o carvão e substituí-lo por outra fonte de energia, mas não é impossível.

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