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Porto Business School. “Há uma guerra pelo talento em Portugal”

Ramon  O´Callaghan, reitor da Porto Busines School. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens
Ramon O´Callaghan, reitor da Porto Busines School. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Reitor da escola de negócios nortenha alerta para o perigo de, em breve, não haver quadros suficientes para dar resposta às necessidades das empresas.

O Presidente da República aproveitou o recente aniversário da Porto Business School para anunciar a atribuição da ordem de mérito à escola de negócios criada por 36 organizações de referência, nacionais e multinacionais, e pela Universidade do Porto. Em 30 anos de história, esta escola de negócios, que está entre as melhores da Europa pelo sétimo ano consecutivo, já ajudou a formar mais de 150 mil executivos e, tendo em conta só os últimos dois anos, chegou aos 500 alunos estrangeiros. Mas o reitor da Porto Business School (PBS) está preocupado com a “guerra pelo talento” e assume que há o perigo de, se nada for feito, muito em breve não haver recursos em quantidade suficiente para responder à procura e pôr em risco a captação de investimento estrangeiro.

“A educação em Portugal é boa. Isso é um facto inquestionável. O problema não é a qualidade, é a quantidade. Estamos a tentar captar investimento estrangeiro para Portugal e um dos argumentos que lhes vendemos é que temos bom talento. As estatísticas comprovam-no. O problema é que não o produzimos em quantidade suficiente para as nossas empresas sequer quanto mais para as outras”, diz Ramon O’Callaghan. Para o reitor, Portugal deveria estar a tomar medidas para aumentar o número de licenciados nas CTEM, as ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas, designadamente criando mais vagas de acesso às licenciaturas destas áreas. “Acho que é um erro que as universidades continuem a ter o sistema de numerus clausus nestas áreas”, argumenta. E acrescenta: “Estamos envolvidos, por vezes, no pitching a novas empresas e devemos fazer um bom trabalho porque elas continuam a vir [risos], mas o problema é que podemos ser vítimas do nosso próprio sucesso se trouxermos demasiadas e não houver gente que chegue.”

E se é verdade que os baixos custos salariais são uma das razões por que é fácil atrair investimento para Portugal, não é menos certo que, com esta escassez de recursos, a diferença salarial não vai durar muito. “A competitividade assente nos custos não é sustentável e isso está-se a ver na China, que hoje vence pela tecnologia e não pelos salários”, refere Ramon O’Callaghan.

Na Porto Business School os cursos com maior sucesso são, precisamente, os da área da transformação digital e da análise de dados, sem esquecer a procura pelos tradicionais programas de MBA. Mas Patrícia Teixeira Lopes, vice-reitora, reconhece que sendo esta uma escola de formação pós-graduada, “tem capacidade para se adaptar mais rapidamente às necessidades do mercado”. Cerca de um terço do volume de negócios da PBS é obtido através de cursos customizados. Que podem ser ministrados nas instalações da escola de negócios, na Senhora da Hora, na própria empresa, num resort ou até a bordo de um barco. Já aconteceu. A grande dificuldade continua a ser como chegar às pequenas e médias empresas. “As grandes empresas dizem-nos o que precisam e desenhamos um programa à medida das suas necessidades. As pequenas não pensam assim nem sequer têm os recursos para pagar por isso e nós não podemos ter um exército de vendedores a bater às portas das PME. Não é economicamente viável”, diz o reitor.

Patrícia Teixeira Lopes concorda e acrescenta: “Nas PME há, ainda, muito caminho a percorrer ao nível da qualidade da gestão para garantir que são sustentáveis. Em teoria, isso cria oportunidades para as escolas de negócio, mas eles não sabem que precisam disso nem que nós os podemos ajudar.” E, por isso, a PBS criou um Centro para a Inovação Empresarial. “A inovação é fundamental para o futuro. Queremos ajudar as empresas a desenvolverem modelos de negócio suportados na inovação”, diz a vice-reitora. Empreendedorismo, transformação digital e sustentabilidade são algumas das áreas prioritárias de aposta, a par da inovação no modelo de negócios.

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