Turismo

Portugal à beira de fechar o ano com recorde de 26 milhões de turistas

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REUTERS/Rafael Marchante/File Photo Lisboa, turistas, Cais das Colunas

A manter-se o ritmo de crescimento registado até agosto, Portugal vai fechar 2019 com um milhão de turistas a mais face ao ano passado.

Contas certas só no fim do ano, mas uma viagem ao futuro permite antecipar novos recordes. Os dados publicados esta segunda-feira pelo INE revelam um crescimento sustentado do turismo em todo o país desde o início de 2019. Entre janeiro e agosto, Portugal recebeu cerca de 18 milhões de visitantes, um milhão a mais face ao mesmo período do ano passado.

Números que levam o Governo a acreditar que, mantendo-se este ritmo de crescimento no que ainda resta de 2019, “chegaremos aos 26 milhões de hóspedes no final do ano”, sublinha fonte da secretaria de Estado do Turismo em declarações ao DV. Será um novo recorde para o turismo nacional, que no ano passado atingiu a marca dos 25 milhões de hóspedes. Entre o início de 2015 e o final de agosto, Portugal recebeu mais de 100 milhões de visitantes. “Estamos a conseguir crescer a um ritmo superior às metas que estabelecemos na Estratégia Turismo 2027”, sublinha o Executivo.

Apesar de o ritmo de crescimento ter diminuído face aos anos anteriores, a tutela não desmancha o otimismo. “São números muito positivos e que mostram como a atividade turística continua a crescer ao longo de todo o ano. Mesmo com o aumento que tem havido da oferta de alojamento, estamos a crescer significativamente em termos de proveitos. Se compararmos com 2015, temos um aumento de 58% dos proveitos nos meses de junho, julho e agosto”, destaca a secretaria de Estado chefiada por Ana Mendes Godinho. Desde o início do ano, os proveitos do setor totalizam perto de três mil milhões de euros, mais 7% do que no ano passado.

O mês de agosto ficou marcado por, pelo segundo ano consecutivo, ter sido ultrapassada a marca de 3 milhões de visitantes em Portugal. Face ao mesmo mês do ano anterior, o setor do alojamento turístico registou mais 200 mil hóspedes.

Apesar do aumento de visitantes, a estada média caiu para 2,88 noites e a taxa líquida de ocupação recuou para 68,3%. Números que não preocupam os responsáveis. “A estada média é calculada por estabelecimento e não por estadia, o que significa que é o tempo médio que os turistas ficam em cada hotel e não durante a totalidade da viagem. A sua redução indica que quem nos visita já não fica sempre no mesmo local durante o período de férias, visitando mais do que uma região”.

E quem nos visita já não são só os mesmos de sempre. Britânicos, espanhóis e franceses ainda concentraram mais de metade das dormidas de turistas estrangeiros em agosto, mas são os norte-americanos, brasileiros e irlandeses os que mais crescem. A China também se destaca desde o início do ano como mercado emissor de turistas, com um crescimento 15,5%. “Desde 2015, o mercado americano para Portugal duplicou e as receitas turísticas do mercado chinês aumentaram 148%”, revela a secretaria de Estado do Turismo.

Algarve com mais de dois milhões de hóspedes pela primeira vez

A água do mar aqueceu tarde, no centro da Europa fez mais calor do que no sul de Portugal, os motoristas de matérias perigosas fizeram greve e não faltaram as falências de companhias aéreas e operadores turísticos. Apesar de todos os contratempos, o verão de 2019 terá sido o melhor de sempre para o Algarve, em termos de número de hóspedes.

Pela primeira vez, no acumulado de junho, julho e agosto, a região algarvia recebeu mais de dois milhões de hóspedes. “A realidade está à vista. O Algarve cresce em proveitos mais do que a média nacional. Terminámos agosto com proveitos acumulados de quase 900 milhões de euros, cerca de 42% do total dos proveitos arrecadados a nível nacional”, destaca João Fernandes, presidente da Associação de Turismo do Algarve (ATA).

Segundo o responsável, o Algarve conseguiu fidelizar os visitantes que chegaram pela primeira vez no período de 2015 a 2017, quando “fugiam” de outros destinos como a Tunísia ou a Turquia.

Outro fenómeno que está a contribuir para os números positivos está nos residentes não habituais, nomeadamente, franceses, italianos, belgas ou suecos, explica João Fernandes.

“Estão a gerar procura por parte dos seus familiares e amigos. No período entre 2016 e 2018 o número de italianos a residir no Algarve aumentou 159% e os franceses 69%.
Antes de adquirirem casa, vêm em média cinco vezes à região e ficam alojados em hotéis. São um fluxo importante para garantir o êxito do esforço que fazemos para alargar a procura a épocas intermédias, porque passam a ter um vínculo mais próximo com a região e vêm quando há menos procura”.

Turismo no Norte dispara 50% em cinco anos
Há também cada vez mais turistas a optar pelas paisagens do Norte nas férias de verão. Entre junho e agosto, a região recebeu 1,8 milhões de hóspedes, mais 11% do que no mesmo período de 2018.

Os números do INE revelam ainda que em cinco anos, entre 2015 e 2019, o número de hóspedes registados na região Norte nos meses de verão disparou quase 50%. No verão de 2015, o Norte do país recebeu menos 600 mil hóspedes do que em junho, julho e agosto de 2019.

No mesmo intervalo de tempo, só os Açores ultrapassam o Norte em termos de crescimento de turistas, com uma subida de 65%.

Segundo a análise do INE, a região também lidera a tabela das dormidas de não residentes desde o início do ano, com um crescimento de 11,5%.

O município do Porto já representa 6,2% do total das dormidas de turistas no país, sendo que 83% destes hóspedes são estrangeiros. Entre janeiro e agosto, o número de dormidas no Porto subiu quase 10%.

A região Norte destaca-se ainda pelo peso do alojamento local, que já vale 21% de todas as dormidas de turistas. Só a Área Metropolitana de Lisboa, com 37%, regista um valor mais elevado.

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