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Portugal. A rota do luxo está a passar por aqui

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O Convento do Carmo, em Lisboa, foi um dos palcos da cimeira do luxo organizada pelo Financial Times.

Ao fim de dez anos a viajar pelo mundo, Chanda Pandya achou que era tempo de dizer chega. Em 2014, a britânica decidiu abandonar a carreira na moda e trocou o Dubai por uma “vida normal” em Londres. Nesta semana, a diretora da marca italiana de cozinhas de luxo Rossana esteve em Lisboa, onde não vinha há mais de uma década. Enquanto a filha de 3 anos e a babysitter que trouxe de Londres exploravam a capital portuguesa num autocarro turístico, Chanda escolheu ficar no Four Seasons Ritz Hotel para ouvir alguns dos líderes mundiais do setor do luxo, que o jornal britânico Financial Times trouxe no início da semana a Lisboa.

A diretora da Rossana fez parte de uma lista com mais de 400 participantes, que pagaram até 3200 euros para ver e ouvir de perto os CEO de marcas como Cartier, Hermès ou Farfetch, num evento que durou três dias e teve lotação esgotada.

O pedido do Financial Times para organizar a 13.ª cimeira Business of Luxury em Lisboa foi um entre as dezenas que todos os dias chegam ao gabinete de captação de congressos do Turismo de Portugal.

“Já começamos a ter uma oferta com dimensão. Sentimos que o público que nos procura é cada vez mais exigente e esta é uma grande oportunidade para o posicionamento de Portugal. Há turismo de luxo em todo o país e está muito associado à autenticidade e à criatividade, a experiências diferentes. O último ano provou que podemos bater-nos de igual para igual com qualquer outro país, desde que haja vontade. Não há mitos que não possam ser quebrados”, declara ao Dinheiro Vivo a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que é por estes dias uma das governantes com a agenda mais preenchida.

Para o dia seguinte estava marcada a visita de uma operadora de luxo brasileira, que veio conhecer “a nova oferta” do segmento do luxo em Portugal.

Foi a curiosidade por essa “efervescência” que tomou conta do mercado português nos últimos anos que fez Denise Bradley-Tyson atravessar um continente e um oceano para aterrar na cidade que “ficou com as sobras da ponte Golden Gate” em São Francisco, diz em tom de brincadeira.

A conferência do Financial Times já faz parte da rotina anual da fundadora e CEO da Inspired Luxe, uma empresa especializada em “promover designers e artesãos originários ou inspirados pela diáspora africana”, explica ao Dinheiro Vivo. A empresária participou no evento pelo terceiro ano consecutivo, mas a visita a Lisboa acabou por dar mais frutos do que as deslocações anteriores. “Já conheci uma pessoa que me vai pôr em contacto com a comunidade portuguesa de joalharia para tentarmos avançar com algumas parcerias”, conta.

Quantos negócios foram fechados ao longo dos três dias do evento não se sabe. Mas os cartões-de--visita trocados foram aos milhares, destaca o empresário Marco Galinha, que marcou presença no Hotel Ritz na qualidade de CEO do Portugal Fashion.

“Este evento, que é o mais importante do mundo no seu segmento, cria ligações entre os produtores e as grandes marcas internacionais. É uma grande honra tê-lo cá e ter empresas portuguesas, como a Farfetch, a liderar a este nível. O que se nota agora é que todos, desde o poder político à indústria, estamos alinhados para o sucesso de Portugal, o que nunca tinha acontecido. Estamos fartos de ficar nos últimos lugares dos rankings. As imobiliárias de luxo estão cheias de trabalho. Temos uma indústria fabulosa nesta área, desde sapatos a tecidos, criadores e joalharia. Troquei umas palavras com o CEO do Financial Times que me disse estar maravilhado com isto tudo”.

Entre retalho, imobiliário e turismo, o segmento do luxo já vale cerca de 9000 milhões de euros anualmente à economia portuguesa, cerca de 5% do PIB. Os responsáveis do setor querem que o rótulo de “capital mundial do luxo” dure mais do que três dias.

“Esta conferência é muito importante para dar visibilidade ao que de melhor fazemos. Os visitantes já sentem o momento positivo que Portugal está a viver. Mas este trabalho é uma maratona, não é uma corrida de cem metros. Já começou há algum tempo e estamos a começar a colher os frutos. No ano passado o país saiu em 16 mil notícias e as visitas de jornalistas aumentaram 30%. Vamos continuar a investir nisso porque queremos cá os melhores maratonistas. O segmento do luxo é definitivamente um dos que mais nos interessa”, declarou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, à margem do evento.

Como em qualquer maratona, há nesta corrida quem prefira manter os pés assentes no chão. “Temos tudo por fazer. Ainda estamos muito longe deste mundo do luxo internacional e devemos focar-nos nele. Lisboa e Porto têm muitas capacidades para atrair este setor. Tal como fez a Mercedes, que trouxe o hub digital para o nosso país, podemos criar um centro de design, manufatura e exportação. Somos muito fortes no têxtil e no calçado, mas também na componente automóvel e joalharia. A área do luxo é bastante transversal”, destaca o presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Adelino Costa Matos.

Desta vez o tempo foi escasso, lamentou Chanda Pandya, garantindo, porém, que não iria voltar para Londres sem um novo par de sapatos de pele portuguesa, comprados por recomendação de alguém numa loja do Príncipe Real. Para trás ficou ainda a promessa de regressar a Portugal com a filha já neste verão, com olhos de ver, dinheiro para gastar e sem babysitter.

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