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Portugal ainda se aguenta, mas como estão os outros?

O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA

Na lista das dez maiores exportadoras para a Alemanha estão quatro importantes fábricas localizadas na região norte: Bosch, Continental, Gabor e Preh.

Os dados referentes ao segundo trimestre do ano ainda não permitem ter um retrato fidedigno do que está a suportar a economia portuguesa, mas uma coisa é certa: o perigo já está à espreita.

De acordo com o INE, o produto interno bruto (PIB) conseguiu manter um crescimento homólogo trimestral de 1,8% igual aos primeiros três meses do ano, mas com as nuvens de uma possível recessão na Alemanha, o ciclo pode inverter-se dada a forte interligação entre as duas economias.

A economia germânica é o terceiro maior cliente dos bens e serviços vendidos ao exterior, representando uma faturação de quase 10 mil milhões de euros. Os impactos podem fazer-se sentir pelas exportações, mas também pelo investimento avultado de empresas alemãs em Portugal.

Tal como noticiou esta semana o Dinheiro Vivo, de acordo com a AICEP e informação oficial (do INE), na lista das dez maiores exportadoras para a Alemanha estão quatro importantes fábricas localizadas na região norte: Bosch, Continental, Gabor e Preh. Mais. Seis dessas dez empresas espalhadas pelo país são do setor automóvel ou atuam como fornecedores de componentes para carros, incluindo pneus. Percebe-se onde é que pode doer mais se a Alemanha entrar em apuros.

Fonte: INE

Fonte: INE

Alemanha a meio caminho da recessão

O motor da economia europeia parece estar a gripar, mas ainda não é certa a dimensão dos estragos. As campainhas soaram com os avisos do banco central alemão (Bundesbank) de uma possível recessão no terceiro trimestre deste ano. As previsões apontam para um crescimento anémico de 0,5% do PIB este ano, mas a cifra pode ser revista em baixa para valores entre 0,2% e 0,3% no conjunto do ano. Berlim admite uma injeção massiva de estímulos de 50 mil milhões de euros para despertar a maior economia europeia, mas ainda se desconhecem o âmbito e a extensão do pacote de incentivos. A Alemanha tem capacidade orçamental para enfrentar qualquer crise económica futura com “força total”, afirmou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, mas o Bundesbank já veio afastar a necessidade de estímulos imediatos. É o terceiro maior cliente das exportações portuguesas.

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

França fora dos radares

É a terceira maior economia da União Europeia, atrás da Alemanha e do Reino Unido e para já parece estar fora dos radares das preocupações, apesar de se prever um crescimento de apenas 1,3% do PIB este ano e 1,4% no próximo de acordo com as projeções da Comissão Europeia. No segundo trimestre do ano resistiu ao abrandamento, registando um crescimento trimestral homólogo de 1,3%. A economia gaulesa pode, contudo, sofrer de um eventual abrandamento da vizinha Alemanha. É que a economia germânica é o principal destino das exportações francesas, vale mais de 70 mil milhões de euros. Além disso, mais de 2700 companhias gaulesas estão na Alemanha, empregando 363 mil pessoas.

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

Itália mergulha na incerteza

A Itália está mergulhada em mais uma crise política. A improvável coligação entre o Movimento Cinco Estrelas (antissistema) e a Liga (extrema-direita) durou 18 meses. O 66º governo desde a Segunda Guerra Mundial não resistiu às tensões internas e desfez-se esta semana com a dramática declaração do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, “este governo acaba aqui!”. De acordo com o jornal económico Il Sole 24 Ore a incerteza política italiana vai custar mais cinco mil milhões de euros em juros da dívida ao longo de dois anos. E a dívida pública italiana é colossal, correspondendo a 134% do produto interno bruto. A variação trimestral do PIB em cadeia no segundo trimestre foi zero (0%).

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

Espanha resiste

O principal cliente das exportações portuguesas está também mergulhado numa crise política com os sucessivos falhanços na investidura do socialista Pedro Sanchez (PSOE) no cargo de presidente do governo. Apesar de manter um crescimento acima da zona euro – tal como Portugal – o segundo trimestre deste ano deu sinais de abrandamento da economia espanhola. De acordo com os dados divulgados no início de agosto, entre abril e junho o PIB 0,5%, duas décimas abaixo do primeiro trimestre do ano, situando-se ao nível de 2014. A Alemanha é o segundo destino das exportações espanholas, logo a seguir a França, com vendas que superam os 30,7 mil milhões de euros, correspondendo a 10,8% do valor das vendas ao exterior, em 2018.

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

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