Ranking da Competitividade

Portugal: amigo dos imigrantes, mau a investir e na dívida

Portugueses estão mais positivos em relação ao euro
Portugueses estão mais positivos em relação ao euro

Portugal manteve-se no 39º lugar num grupo de 63 países. Hong Kong é o território mais competitivo. Os piores são Venezuela, Brasil e Mongólia.

Portugal manteve-se no 39º lugar do ranking da competitividade relativo a 2017 elaborado pela escola de gestão suíça IMD, que analisa 63 países de todo o mundo. No topo da lista continuam Hong Kong, Suíça, Singapura e Estados Unidos (por esta ordem). No fundo da tabela, estão Brasil, Mongólia e Venezuela. A concorrer diretamente com Portugal (à volta do 39º lugar) aparecem economias como Arábia Saudita, Polónia, Letónia e Filipinas.

Portugal manteve o mesmo lugar do ano passado, ficando assim na metade inferior da tabela internacional, porque apesar de melhorias significativas em indicadores chave como défice público (em 2016), evasão fiscal, desempenho das exportações, abertura da economia a imigrantes e a cérebros estrangeiros, as situações das finanças públicas, dos bancos e da maioria das empresas continuam tensas e arriscadas, manchando o currículo nacional.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Arturo Bris, diretor do Centro para a Competitividade Mundial do IMD, destaca alguns elementos negativos que estão a prender o país, a retardar o avanço da economia.

“A dívida pública continua muito elevada”, podendo causar constrangimentos de financiamento a prazo, “as empresas também estão altamente endividadas”, o que pode ser um impedimento à inovação, “a burocracia nos serviços públicos e o sistema judicial que precisa de ser reduzida”, “o mercado de trabalho carece de reformas adicionais de modo a incluir os mais jovens e qualificados”, resume o professor de gestão formado pela Universidade de Madrid e o INSEAD.

Segundo o estudo do IMD, Portugal manteve-se no 39º lugar da competitividade mundial, mas está substancialmente melhor do que há três ou quatro anos, altura em que se ficava pelas 46ª e 43ª posições, respetivamente.

Arturo Bris recorda que o país “melhorou muito em 2015 [subiu para o 36º lugar]”, com a saída do programa de ajustamento e subsequente retoma da economia, mas atualmente continua a lidar com opções curtas no que toca ao financiamento em geral.

Pela positiva, o IMD destaca fatores como a diversificação das exportações (4º lugar entre os 63 países), a força do turismo (10º maior em dinâmica de receita), as boas leis de imigração que promovem a abertura ao exterior (3º lugar mundial), entre muitos outros.

O ranking da competitividade subdivide-se em quatro grandes subcomponentes. Desempenho da economia, eficiência do governo, eficiência empresarial e infraestruturas.

De acordo com Bris, o inquérito português foi conduzido “junto de 50 a 100 executivos de topo que trabalham em Portugal” (sector privado) e que deram a sua opinião relativamente à intensidade de fenómenos com a “corrupção, preocupações ambientais e qualidade de vida” no país, acrescenta a ficha técnica do IMD.

Estudo mundial: 6250 gestores de topo contactados

Para o estudo internacional, que abarcou os referidos 63 países, foram consultados 6250 gestores de topo.

Arturo Bris destaca a subida fulgurante da gigante China neste ranking de 2017, que passou da 25ª para a 18ª posição. “Esta melhoria deve-se à sua dedicação no comércio internacional. Isto continua a puxar pela economia e pela melhoria na eficiência do governo e das empresas”.

Já o Brasil, que tal como a China também é um parceiro económico relevante de Portugal, surge em antepenúltimo no grupo dos 63 países estudados por causa de “questões políticas que aparecem nas notícias” e que são “a raiz da fraca eficiência do governo”. O mesmo problema se aplica à Ucrânia e Venezuela, diz o perito.

Portugal ponto por ponto

Fica aqui um resumo das três maiores “forças” e “fraquezas” de Portugal em cada uma das quatro áreas referidas (com o respetivo lugar no ranking dos 63 territórios).

 

1. Desempenho da economia

Maiores forças:

Concentração das exportações por produto (4º)

Receitas do turismo (10º)

Fluxos de investimento direto estranegiro em % do PIB (13º)

Maiores fraquezas:

Investimento (60º)

Resiliência da economia (58º)

Preços da gasolina (58º)

 

2. Eficiência do governo

Maiores forças:

Leis da imigração (3º)

Investidores estrangeiros (13º)

Estabilidade da taxa de câmbio (13º)

Maiores fraquezas:

Rácio de dívida pública em % do PIB (60º)

Taxas reais de imposto IRS (57º)

Taxas de imposto sobre o consumo (54º)

 

      3. Eficiência das empresas

Maiores forças:

Força de trabalho feminina (5º)

Cultura nacional (6º)

Flexibilidade e adaptabilidade (9º)

Maiores fraquezas:

Endividamento empresarial (62º)

Factor de risco financeiro (59º)

Cumprimento da regulação (banca) (58º)

 

      4. Infraestrutura

Maiores forças:

Despesa pública em educação, por aluno (4º)

Assistência médica (9º)

Rácio aluno-professor no ensino secundário (9º)

Maiores fraquezas:

Crescimento da população (57º)

Exportações de alta tecnologia (57º)

Assinantes de internet de banda larga móvel (56º)

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