Hotelaria

Portugal atrai 166 novos projetos de hotéis em meio ano

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Há 18 investimentos em carteira para o Porto e 13 para Lisboa. Vila Nova de Gaia vai ter a maior obra do país. Portugal é o quarto país da Europa com mais hotéis em licenciamento.

O interesse dos investidores hoteleiros por Portugal não esmorece e os números do setor sustentam o racional do negócio – o país prevê receber até ao final do ano 27 milhões de turistas e registar receitas de 17 mil milhões de euros. Alavancados nesta conjuntura, entraram 166 novos projetos hoteleiros em licenciamento nos primeiros seis meses do ano, um incremento de 23% face ao mesmo período de 2018, segundo dados compilados pela Confidencial Imobiliário (CI). Esta carteira reforça a oferta acumulada que, até ao final de setembro, ascendia a 4451 empreendimentos turísticos.

Os concelhos do Porto e Lisboa lideram as intenções de investimento. A nível regional é o Norte e o Alentejo que somam mais projetos. Para a Invicta, estão previstos 18 novos empreendimentos turísticos, com uma área média de 2374 metros quadrados, distribuídos por sete hotéis de quatro ou mais estrelas e 11 unidades de três ou menos estrelas. Na capital, entraram 13 investimentos no primeiro semestre do ano, com uma área média de 3180 metros quadrados, de que se destacam dois hotéis de quatro ou mais estrelas e os onze restantes de categorias inferiores. Olhando para as áreas metropolitanas, a AMP regista 25 unidades em carteira e a AML contabiliza 29.

A região Norte foi a que captou mais interesse, registando 36 processos de licenciamento de novos projetos turísticos. Vila Nova de Gaia, que recebeu quatro investimentos, vai acolher o maior empreendimento que entrou em licenciamento no primeiro semestre, uma obra de requalificação num espaço que totaliza 35.670 metros quadrados. Matosinhos é também destino de três unidades de alojamento.

Ao nível da AML, Cascais, Mafra e Loures receberam, cada uma, processos de licenciamento para três unidades de alojamento. Cascais vai acolher um projeto de raiz com uma área superior a 26 mil metros quadrados na freguesia de Carcavelos e Parede, o segundo maior deste primeiro semestre. De dimensão assinalável estão ainda previstos empreendimentos para Lisboa (Alcântara), com mais de 13 metros quadrados, na Amadora (Alfragide), com mais de 11 mil metros quadrados, e em Mafra, com 11 mil.

Alentejo em alta

O Alentejo está também a despertar o apetite dos investidores turísticos. A região contabiliza 32 novos projetos, com foco nos concelhos de Grândola, onde se localiza uma das zonas mais apetecíveis do país, a linha atlântica da Comporta, e Santiago do Cacém. Segundo a CI, Grândola tem um pipeline de seis projetos, dos quais cinco classificam-se na categoria de quatro ou mais estrelas, com uma área média de 3600 metros quadrados. Já Santiago do Cacém totaliza cinco novas unidades, com pouco de mil metros quadrados em média.

A mais importante região turística portuguesa, o Algarve, foi a que menos captou o interesse dos promotores, mas ainda assim contabiliza uma carteira de 20 projetos, num acumulado de mais de 51 mil metros quadrados. Lagos tem em licenciamento um projeto com mais de 20 mil metros quadrados.
A CI destaca que no acumulado de janeiro de 2017 a junho deste ano, registou-se a entrada em licenciamento de 668 unidades turísticas, num total de 1,4 milhões de metros quadrados.

Portugal no topo dos países onde vão abrir mais hotéis

Portugal é já o quarto país com mais projetos hoteleiros em carteira na Europa, mostra uma análise da consultora Lodging Econometrics. Na primeira metade deste ano, o número de hotéis em fase de licenciamento na Europa aumentou 23% para um total de 1704 novas unidades, o que corresponde a mais 260.111 quartos de hotel. A Alemanha continua a liderar em número de projetos previstos, com um recorde absoluto de 320 unidades hoteleiras (57.689 quartos), seguida pelo Reino Unido (280 projetos/ 10.178 quartos) e de França (184 hotéis/22.140 quartos). Portugal surge em quarta posição neste ranking de novos hotéis em pipeline, com a previsão de 11.733 novos quartos em 119 novos hotéis, segundo os dados apresentados pela Lodging Econometrics, um número inferior ao avançado pela Confidencial Imobiliário (166).

“As baixas taxas de juro e as condições de financiamento vantajosas estão a impulsionar a subida do número de projetos na Europa”, explica a Lodging Econometrics, admitindo que a importância das taxas baixas para apoiar as economias e aguentar eventuais turbulências no comércio internacional parecem apontar para a manutenção dos juros baixos. “Consequentemente, os projetos em pipeline vão continuar a aumentar a um ritmo saudável num futuro próximo”.
As marcas que mais crescem no Velho Continente não são desconhecidas dos portugueses: Os hotéis Accor, donos dos Ibis, Mercure e Novotel, têm um recorde de 261 projetos na Europa – só Ibis são 134; seguidos pelo grupo Marriott (211), Grupo Hilton (174 projetos) e pelos hotéis do Grupo Intercontinental (148 projetos).

Procura tem acompanhado a oferta
Portugal registou 15 milhões de turistas até julho deste ano, um aumento de 7,2% em relação ao ano passado. Os proveitos do setor acompanham este ritmo e avançaram 7,3% nos primeiros sete meses do ano. As taxas de ocupação rondam os 70%, mas a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) lembra que se trata de uma média e que, para já, o aumento da oferta acompanha o aumento da procura.

“Da informação que dispomos, até julho, a procura tem acompanhado o crescimento da oferta. Crescemos, segundo o INE, nos primeiros 7 meses do ano, 7% em hóspedes e 4% em dormidas, enquanto a oferta hoteleira tem crescido a uma média de 7% ao ano, nos últimos 10 anos. Naturalmente que a diversificação da oferta, não só a hoteleira, tem contribuído para captar novos públicos”, adiantou ao Dinheiro Vivo, Cristina Siza Vieira.

A presidente executiva da AHP destaca ainda que “a sazonalidade, apesar de estar mais esbatida, ainda se faz sentir em alguns destinos. Há meses em que a taxa de ocupação está muito acima dos 70% e outros em que ficamos um pouco abaixo, exceção feita aos meses de dezembro e janeiro que apresentam os valores de taxa de ocupação mais baixos. Apesar do abrandamento do crescimento, assistimos a um crescimento deste indicador, pelo que apesar do aumento da oferta, tudo indica que o número de hotéis existentes continua a ser adequado para a procura que temos”.

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