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Portugal avança com emissão sindicada de dívida a dez anos

O Tesouro vai emitir novas obrigações a dez anos, tendo mandatado um conjunto de bancos para assegurarem essa operação.

Um dia depois de ter divulgado o plano de financiamento do ano, o Tesouro mandatou o Barclays, Citigroup, Credit Agricole, Goldman Sachs e Novo Banco para assegurarem a emissão de uma nova linha de referência de obrigações com maturidade a dez anos, segundo a Bloomberg. Os novos títulos chegam a maturidade a 17 de outubro de 2028 e a operação deverá ficar fechada em breve, dependendo das condições de mercado.

Os analistas e os investidores já esperavam que Portugal arrancasse o ano com uma emissão de dívida sindicada para dar um início forte à execução do plano de financiamento e para aproveitar as baixas taxas de juro.

Nos anos anteriores, a segunda semana de janeiro já tinha sido aproveitada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), liderado por Cristina Casalinho, para avançar com emissões sindicadas. Contrariamente aos leilões de dívida, este tipo de operação envolve valores maiores de financiamento e é assegurada pelos bancos contratados para montarem a operação. Em 2016 e 2017, nesse tipo de operação o Tesouro obteve entre três mil milhões e quatro mil milhões de euros neste tipo de operação. Num leilão normal, o Estado tende a encaixar cerca de mil milhões de euros de financiamento.

Os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo já antecipavam que Portugal avançasse para uma operação deste tipo de forma a aproveitar as baixas taxas de juro. “É um bom momento para emitir porque as taxas a dez anos rondam os 1,8%, melhor do que a taxa da dívida italiana”, referia Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, antes de a emissão ter sido anunciada. Esta descida das taxas ocorreu após as subidas de rating para grau de investimento por parte da Standard & Poor’s e da Fitch, nos últimos meses de 2017. No início do ano passado, para fazer uma emissão sindicada a dez anos, o Tesouro teve de pagar um juro de 4,227%.

Além disso, o mercado espera que o Tesouro acelere no financiamento no início do ano de forma a evitar o aumento dos custos de financiamento decorrente do aproximar do fim do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE). A equipa de research do BiG considerava no início desta semana que era “expectável que o IGCP avance para uma emissão sindicada com celeridade devido às condições de financiamento amplamente favoráveis”. Até porque, realça, os custos de financiamento deverão começar a subir de forma gradual neste ano no contexto da retirada das compras do BCE.

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