Portugal coloca 1500 milhões de dívida mas a uma taxa mais alta

Taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro
Taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro

Portugal conseguiu passar no teste de hoje dos mercados de dívida
ao colocar o montante máximo de dívida que tinha previsto para o
duplo leilão: 1500 milhões de euros. No entanto, o Tesouro teve de
pagar mais pelas emissões a seis e a 12 meses face aos leilões
anteriores.

Na emissão a seis meses, Portugal colocou 500 milhões de euros e
pagou uma taxa de juro de 2,935%, acima dos 2,9% da emissão anterior
comparável, realizada a 4 de abril, na qual foram colocados 500
milhões de euros. Neste leilão assitiu-se a um procura que foi
superior à oferta em 4,1 vezes.

No leilão a 12 meses também se assistiu- a uma subida dos juros.
Portugal emitiu 1000 milhões de euros, tendo pago uma taxa de juro
de 3,908%, um valor superior aos 3,652% pagos na emissão com o mesmo
período, realizada a 21 de março, na qual o Tesouro português
colocou 1610 milhões de euros. Nesta emissão a 12 meses a procura
superou em 2,7 vezes a oferta.

“Estas emissões decorreram sem surpresas. Muitos investidores
têm estado a comprar dívida portuguesa no mercado secundário e o
interesse mantém-se”, adiantou Filipe Silva, giretor da
gestão de ativos do Banco Carregosa.

Mesmo a subida das taxas de juro não apanhou de surpresa os
analistas, referindo que enquanto Portugal estiver sobre a
intervenção da Troika a percepção do risco é diferente.

“Quanto às taxas de juro, saíram em linha com o que está a
ser feito para as emissões antigas que já estão no mercado
(secundário). Como esta dívida vai ser paga ainda durante a
vigência do Plano de Ajuda externa, a percepção do risco é menor
e há interesse do mercado”, acrescentou Filipe Silva.

“Com a deterioração do mercado nas últimas duas semanas, tendo em conta o desenvolvimento negativo na questão da dívida soberana em Espanha e Itália, acaba por não ser surpresa que tenha havido este aumento dos juros na emissão de hoje”, explica Salvador Nobre da Veiga, account manager da corretora XTB .

Para os especialistas, não houve assim grandes surpresas adiantando
apenas que o verdadeiro teste irá ser quando Portugal colocar dívida
com uma maturidade que ultrapasse Setembro de 2013, data que marca o
fim do programa de ajuda externa.

“O próximo teste vai ser a emissão de dívida a ser paga
depois de Setembro de 2013”, concluiu o diretor de gestão de
ativos do Banco Carregosa.

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