Obrigações do Tesouro

Portugal colocou 970 milhões em dívida a 10 anos a juros mais altos

Cristina Casalinho, presidente do IGCP
Cristina Casalinho, presidente do IGCP

Portugal colocou hoje 970 milhões de euros, montante abaixo do máximo anunciado, em Obrigações do Tesouro a 10 anos, com os juros a subirem para 0,333%, contra o mínimo de sempre de 0,264% no anterior leilão comparável.

Segundo a página do IGCP, agência que gere a dívida pública, na agência Bloomberg, foram colocados 970 milhões de euros em OT com maturidade em 15 de junho de 2029 (cerca de 10 anos) à taxa de juro de 0,333%, abaixo da registada em 11 de setembro, de 0,264% e atual mínimo histórico.

A procura das OT a 10 anos cifrou-se em 1.580 milhões de euros, 1,63 vezes o montante colocado.

No último leilão comparável de OT a 10 anos, realizado em 11 de setembro, foram colocados 600 milhões de euros com maturidade em 15 de junho de 2029 à taxa de juro de 0,264%, um novo mínimo de sempre, abaixo da registada em 10 de julho, de 0,510%, anterior mínimo histórico. A procura atingiu então 1.263 milhões de euros, 2,11 vezes o montante colocado.

O IGCP, agência que gere a dívida pública, tinha anunciado para hoje a realização de um leilão de OT com maturidade em 15 de junho de 2029 (cerca de 10 anos) num montante indicativo global entre 750 e 1.000 milhões de euros.

Comentário de analista: “Os investidores têm optado por ativos de maior risco”

David Silva, analista da corretora financeira Infinox, comenta a emissão de dívida a 10 anos feita esta manhã pelo IGCP:

“Tal como já era esperado, e possível verificar através do mercado secundário, a emissão de dívida de hoje registou um custo de 0,333%, superior ao mínimo histórico de 0,264% do último leilão.

Esta subida de taxa de juro e a reduzida procura (superou a oferta em apenas 1,63 vezes) não são uma surpresa e acompanham o atual momento da dívida soberana na Europa, uma vez que os investidores têm optado por ativos de maior risco, o que leva a procura por este tipo de produtos mais conservadores a sofrer uma quebra na sua procura e, consequentemente, uma diminuição do preço e aumento da remuneração dos investidores.

Apesar do aumento do custo face à última emissão e da procura ter registado dos valores mais baixos de 2019, não podemos dizer que o Leilão não tenha sido bem sucedido, uma vez que conseguiu colocar a totalidade do valor emitido e foi a segunda emissão com o custo mais baixo da história (ficou abaixo dos 0,510% da emissão de Julho e acima do mínimo histórico de 0,264% de Setembro).”

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