Prémio

Portugal dá o maior prémio mundial de engenharia de pontes

Pedro Pacheco, administrador da Berd-Bridge Engineering Research & Design, na sede da Berd, em Matosinhos. 
( Igor Martins / Global Imagens )
Pedro Pacheco, administrador da Berd-Bridge Engineering Research & Design, na sede da Berd, em Matosinhos. ( Igor Martins / Global Imagens )

Presidente da República inaugura a entrega, amanhã, em Guimarães, do galardão que recebeu "dezenas" de candidaturas, segundo o promotor do prémio

São portugueses os promotores do Prémio de Inovação Mundial em Engenharia de Pontes que vai ser entregue, pela primeira vez, na próxima terça-feira, numa cerimónia, em Guimarães, com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Foram avaliadas “dezenas” de candidaturas de mais de 200 engenheiros de pontes, com origem em cerca de 50 países, para agora conhecerem a vencedora do cheque de 50 mil dólares (43,8 mil euros), “o maior prémio do mundo na engenharia de pontes”, assegura Pedro Pacheco, empresário e professor universitário.

O prémio, lançado pela empresa de Matosinhos BERD-Bridge Engineering Research and Design e pela Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), esteve em preparação desde 2015, mas, depois de quase dois anos de fases de candidaturas e avaliação, só agora é atribuído, tendo em conta que “não há inovações todos os anos nesta área”. O que se pretende é premiar “soluções verdadeiramente inovadoras e que tragam algo de útil para a sociedade”, explica Pedro Pacheco, admitindo que o ciclo da entrega do galardão possa ser de três ou quatro anos.

As candidaturas foram sujeitas a uma avaliação prévia, desde logo, por parte “das melhores universidades e mais bem classificadas no ranking mundial da engenharia de pontes”, pormenoriza o CEO da BERD e professor na FEUP para Engenharia de Pontes.

O negócio cresce a 100%

A BERD é um “spin-off” da FEUP, criado há 12 anos por Pedro Pacheco e Diogo Grança Moura, da qual fazem parte a Portugal Ventures, a Armilar (duas empresas de capital de risco) e a própria FEUP. Não é uma empresa produtiva, mas sim, fornecedora de equipamentos de grande porte para a construção dos tabuleiros das pontes.

Desde o início que exporta 97% do que concebe, com fornecedores em mais de 20 países, e projetos nos cinco continentes. No final deste ano, contando os agregados de serviços prestados desde que existe, terá estado envolvida na construção de perto de 200 pontes.

Como é uma empresa de “massa cinzenta”, nas palavras de Pedro Pacheco, as 40 pessoas que emprega em Portugal são sobretudo gestores e engenheiros. Fora do país conta com cerca de uma dezena de colaboradores. “É uma equipa capaz de lidar com 12 mil peças e de as agrupar no local da ponte”, ilustra o empresário.

Certo é que, 12 anos depois da sua fundação, a empresa vai crescer mais de 100% este ano, para um volume de faturação na ordem dos 20 milhões de euros. Está no Top 3 a nível mundial.

Espírito inventor

Pedro Pacheco foi investigador e professor universitário na FEUP durante 15 anos, e também projetista num gabinete. Desenvolveu uma patente de tecnologia para a construção de pontes que, depois de testada em laboratório, foi aprovada à escala real, com sucesso, em 2005. Foi nessa altura que se fez acompanhar por “uma equipa de engenheiros de luxo, que ajudaram a concretizar a BERD”.

“Há uns anos”, solicitou a demissão na FEUP, para se dedicar à BERD, mas acabou por se manter na Faculdade como professor convidado.

Uma das missões da BERD é “estar na linha da frente do estado da arte da engenharia de pontes”, mas também, “promover a inovação nesta arte”. Nesse contexto, a empresa já tem quatro patentes. A título de exemplo, cita o trabalho que a empresa está a fazer, neste momento, na Turquia, “com grande impacto económico e de sustentabilidade”: graças a uma solução inovadora, está a ser possível “reduzir um total de 35 mil camiões de betão num projeto de viadutos de uma linha de alta velocidade, bem como a redução de 22 mil toneladas de emissões de CO2”.

“Já recebemos muitos prémios a nível nacional e internacional. Agora queremos ir mais além e sermos nós também a dar prémios”, justifica.

Estado das pontes em Portugal

Questionado sobre o estado das pontes em Portugal, Pedro Pacheco fez um preâmbulo, para lembrar que “em vários países da Europa, como Alemanha, Itália, França e Inglaterra, e também nos Estados Unidos, existem dezenas de milhares de obras que foram erguidas a seguir à segunda guerra mundial e que estão no seu prazo de validade, tendo se ser substituídas na próxima ou próximas décadas”.

Em Portugal, o boom dessas obras ocorreu a partir dos anos 80, com os fundos comunitários e com políticas de infraestruturas, recorda o professor, para sustentar que, “havendo no país muitas pontes que devem ser observadas, é provável que só haja uma necessidade muito profunda de reabilitação umas décadas mais tarde do que nos referidos países”, ou seja, “para um grande volume de pontes a situação não será tão crítica” .

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ministro das Finanças, Mário Centeno, intervém durante a  conferência "Para onde vai a Europa?", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, 22 de março de 2019. MÁRIO CRUZ/LUSA

Próximo governo vai carregar mais 8 mil milhões em dívida face ao previsto

O ministro das Finanças, Mário Centeno, intervém durante a  conferência "Para onde vai a Europa?", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, 22 de março de 2019. MÁRIO CRUZ/LUSA

Próximo governo vai carregar mais 8 mil milhões em dívida face ao previsto

Os postos de combustíveis no país estão a ser abastecidos com a máxima urgência. Fotografia: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Motoristas asseguram combustível na Páscoa

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Portugal dá o maior prémio mundial de engenharia de pontes