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Portugal deve planear já como captar investimento

Paulo Portas
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Paulo Portas ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Portas prevê globalização mais virtuosa, consequência da covid, e alerta para tentações estatizantes. CAP pede resposta europeia musculada.

A pandemia não pôs fim à globalização, mas esta terá de ser gerida de forma diferente, porque o mundo precisa do comércio para se levantar – e há poucos países com a dimensão e o potencial da China. É por isso que Paulo Portas assume que procurou e voltaria a procurar capital de todo o mundo, incluindo chinês. Porém, não tirando Pequim da equação – o que teria efeitos dramáticos nas empresas, já que passaríamos a negociar apenas com espanhóis, franceses e ingleses -, é natural que haja agora “um screening europeu ao Investimento Direto Estrangeiro, um direito de veto para reequilibrar forças entre bloco europeu e Ásia”.

No webinar Geopolítica e Geoeconomia: Tendências, Riscos e Oportunidades da Agricultura no Mundo Pós-Covid, promovido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) nesta quarta-feira, o antigo vice-primeiro-ministro afirmou que sem globalização, Portugal ficaria para trás e sublinhou que a unidade – quer europeia quer entre Europa e outros blocos regionais -, é essencial ao desenvolvimento. “O que acho que vai acontecer é uma progressiva aproximação a um conceito de reciprocidade virtuosa: a Europa abre onde abrir a China. E se a Europa conseguir sair disto com ambição internacional, tem de pensar em África – onde a China está em cada canto e de onde a América desertou.”

Porque a pandemia não é simétrica e também a recuperação terá assimetrias, nomeadamente na velocidade com que diferentes setores vão reagir, é importante pensar num plano de competitividade agressivo, que nos distinga e ajude a captar investimento. “Quando se fala na reindustrialização da Europa, devemos já reunir argumentos capazes de convencer os investidores que é melhor instalarem uma fábrica aqui do que na República Checa ou na Áustria”, exemplifica, sublinhando a relevância de fórmulas inovadoras a par de ideias há muito reclamadas, como benefícios fiscais.

“As exportações, que nos últimos tempos têm suportado a agricultura têm de ser reatadas”, vincou Eduardo Oliveira e Sousa, destacando a “boa colaboração que tem sentido entre esta e a distribuição (pontes sólidas e mutuamente benéficas). O projeto europeu tem na PAC um alicerce mas se nesta altura não houver vantagens de pertencer a este espaço surgirão dúvidas quanto ao objetivo de existência da União Europeia”, sublinha o presidente da CAP, pedindo resposta “rápida e musculada da Europa”.

A quem defende a agricultura e a iniciativa privada, Portas aconselha cuidado. “Há muita esquerda populista feliz com o facto de uma boa fatia da sociedade estar dependente do Estado, que gostaria de tornar o excecional em normal. Nós só não colapsámos totalmente porque parte considerável da indústria organizou-se para continuar a fabricar, responder a encomendas e tomou cuidados para evitar contágio. Isso é mérito do privado e o relançamento só pode ser feito pela economia privada, que resiste, se reinventa e age. O setor privado será determinante, a estatização é o caminho para o empobrecimento”.

O responsável da CAP terminou realçando a ligação da agricultura ao ambiente e a luta contra as alterações climáticas: “Sem sustentabilidade não há futuro, sem agricultura a humanidade não tem futuro.”

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