Portugal deve reforçar a aposta no conhecimento científico para inovar

O presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), José Carlos Caldeira, defende o reforço na investigação para apoiar as empresas na inovação.

Portugal "deve aprofundar, renovar e reforçar a aposta no conhecimento científico, com mais doutorados que possam aumentar a parceria com as empresas, para que estas transformem os seu serviços e produtos em algo mais competitivo, e isso só se consegue com a inovação que vem também da contratação de pessoal altamente qualificado", disse ao Dinheiro Vivo o presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), José Carlos Caldeira.

O presidente da ANI falava à margem da 27.ª edição da conferência da Sociedade Internacional para a Gestão da Inovação Profissional decorre entre domingo e quarta-feira no Porto, onde estão a ser "debatidas as tendências mais recentes nesta área do conhecimento através da presença de 'keynote speakers' de renome mundial e de iniciativas para promover a cooperação entre as instituições nacionais e internacionais".

Reconhecendo que ainda há muito para fazer em Portugal no que diz respeito a inovação, lembra a evolução positiva dos últimos 20 anos. "Houve um investimento muito grande na ciência e inovação, com o ministro Mariano Gago, o que permitiu colocar Portugal com um desempenho comparável a nível internacional".

Mas, frisa, "esse desenvolvimento não pode ser imediato para as empresas, é um processo de longo prazo e o que estamos a assistir atualmente são os frutos desse investimento". Isto é, "começamos a ver um número crescente de projetos de colaboração entre ciência e empresas, que investem na inovação e a seguir na tecnologia".

Crise

"Infelizmente", referiu José Carlos Caldeira, "esse processo foi prejudicado pela crise, com a diminuição do investimento na ciência e ao mesmo tempo com uma enorme pressão sobre as empresas para avançarem com a inovação para fazer frente à concorrência internacional".

Os setores tradicionais, "calçado, metalomecânica, moda, cerâmica fizeram essa inovação e foram capazes de dar respostas que empresas de outros países não conseguem e é esse o ganho. Por exemplo, muitas empresas de calçado são capazes de responder rapidamente a pequenas encomendas, altamente especializadas e ao mesmo tempo as grandes encomendas".

Para além desses setores "temos os emergentes, das tecnologias de informação, novos materiais, ciências da vida, onde estão os doutorados, e que em muitos casos são complementares dos chamados setores tradicionais", disse.

"Os setores mais dependentes dos mercados internacionais apostaram na inovação beneficiando dos investimentos anteriores na ciência", mas salienta, "é importante reforçar a aposta do lado científico, com particular importância para os politécnicos, para reforçar os recursos humanos decisivos para as empresas".

Emprego

José Carlos Caldeira sublinhou que em "muitos casos os jovens altamente qualificados vão para fora não por falta de emprego, mas por melhores condições. Por isso, é importante que as empresas cresçam e sejam capazes de dar essas mesmas condições aos melhores".

Também "é importante que se crie uma rede de instituições intermédias, capazes de fazer o interface entre o mais recente e o mais tradicional". O presidente da ANI afirmou ainda, que a agência tem procurado aprofundar a colaboração entre entidades do sistema científico e empresas.

De referir que no âmbito do Global Competitiveness Report 2015, que inclui 140 países, Portugal passou de 51º para 38º posição, entre 2013 e 2015 subiu 13 posições, "um aumento significativo com base nas melhorias alcançadas em inovação, tecnologia e ensino superior".

O resultado a nível global depende "da existência de um sistema de investigação e Inovação maduro, com importantes oportunidades a serem exploradas no contexto do Portugal 2020, entre as quais no contexto do sistema I&I destacam-se a inserção de doutorados nas empresas, a aplicação eficiente da qualidade do sistema científico ao sector produtivo e a promoção da integração do Sistema I&I no sistema de redes internacionais".

José Carlos Caldeira lembrou que, a nível dos fundos comunitários, tem havido um aumento do número de projetos e do investimento no âmbito da investigação e desenvolvimento colaborativo.

A Conferência da Sociedade Internacional para a Gestão da Inovação Profissional, que reúne "anualmente cerca de 500 participantes de cerca de 50 países, com o objetivo de discutir os temas relevantes e atuais na área da gestão da inovação".

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