Recursos Humanos

Portugal é 23º no ranking mundial de talento. Caiu seis posições

O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens
O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Tabela do IMD mostra que Portugal perdeu terreno para países ou regiões como Hong Kong, Nova Zelândia, Irlanda, Israel, Taiwan e Malásia

Portugal ocupa o 23º lugar no ranking mundial de talento, tendo perdido seis posições face à tabela de 2018. Os dados são do IMD World Talent Ranking 2019, que avalia a capacidade de desenvolvimento, atração e retenção do talento de 63 países, e que mostra que Portugal está a perder terreno neste domínio, devido à “deterioração do investimento e desenvolvimento” nesta área.

A tabela é liderada pela Suíça, que revalida o título de principal pólio de talento do mundo, e pela Dinamarca. Na terceira posição surge a Suécia, que subiu cinco lugares face ao ano anterior. A Europa domina o ranking hoje divulgado, com o IMD a destacar a capacidade de liderança da região na “promoção das melhores condições à competitividade” numa economia global em que a mão de obra qualificada escasseia.

A tabela do IMD World Competitiveness Center, centro de investigação suíço com mais de 30 anos de experiência nos temas da competitividade, é criada a partir da análise de três fatores: o Investimento e Desenvolvimento, a Atratividade e a Disponibilidade. E é precisamente a “deterioração” do fator ‘Investimento e Desenvolvimento’, que terá afetado a ‘Disponibilidade’ de talento, que leva Portugal a perder seis posições para Hong Kong, Nova Zelândia, Irlanda, Israel, Taiwan e Malásia. Esta tendência, explicou ao Dinheiro Vivo o economista sénior do IMD José Caballero, foi “sublinhada por uma mudança negativa nas opiniões dos executivos” inquiridos.

Segundo este responsável, no que ao ‘Investimento e Desenvolvimento’ diz respeito, Portugal ocupa o 25º lugar no total de gastos públicos em educação, o 41º na oferta de ensino profissional e o 58º na disponibilização de formação em contexto laboral. Em termos de ‘Atratividade’, as maiores quedas verificaram-se na prioridade à atração e retenção de talentos (de 33º para 48º), na motivação dos trabalhadores (de 33º para 47º) e, em menor grau, na fuga de cérebros (de 29º para 35º). “No fator ‘Disponibilidade’, a oferta de recursos com habilitações nas áreas financeiras (40º), de gerentes seniores competentes (45º) e de gerentes com experiência internacional (54º) estão no centro da crise do país”, salienta José Caballero. Recorde-se que a tabela é composta por 63 países.

Além da Suíça, Dinamarca e Suécia, o top 10 do IMD World Talent Ranking 2019 é completado pela Áustria, Luxemburgo, Noruega, Islândia, Finlândia, Holanda e Singapura. O Luxemburgo subiu quatro posições, a Islândia subiu nove, e Singapura avançou três lugares. A Áustria manteve-se estável na quarta posição e todos os restantes caíram.

“O topo do ranking é dominado por pequenos e médios países europeus. Todas essas economias compartilham fortes níveis de investimento em educação e elevada qualidade de vida. Com exceção da Estónia e da Lituânia, em 27º e 28º lugares, respetivamente, as economias da Europa Oriental ficaram na metade inferior do ranking. Fora dos 10 primeiros, as maiores subidas foram para Taiwan, China (subiu sete posições e está em 20º), Lituânia (subiu oito lugares e está em 28º), Filipinas (seis posições recuperadas, está em 49º) e a Colômbia (sobe seis para 54º lugar)”, destaca o IMD em comunicado.

Segundo o estudo, a Suíça lidera o mundo no fator ‘atratividade’ e em áreas como o ensino profissional, as infraestruturas de saúde, as remunerações, a atração de trabalhadores estrangeiros altamente qualificados e a educação universitária e de gestão.

Já a Dinamarca é a economia líder mundial em ‘investimento e desenvolvimento’, enquanto Singapura – a única nação não europeia no top 10 – tem a maior pontuação global ao nível da disponibilidade de talentos.

“A maioria das economias líderes põe a tónica no desenvolvimento de talentos a longo prazo, concentrando-se no investimento e desenvolvimento. Essa ênfase, no entanto, vai além dos aspetos meramente académicos, para abranger a implementação efetiva de formação profissional. Essa abordagem garante um alinhamento consistente entre a procura e a oferta de talentos ”, sublinha o diretor do IMD World Competitiveness Center, Arturo Bris.

Na Ásia, Singapura, Hong Kong e Taiwan (China) lideram ao nível da competitividade de talentos devido à disponibilidade de recursos. Singapura saltou da 13ª para a 10ª posição face ao ano passado, enquanto a China ficou na metade inferior do índice.

Na região do Pacífico, a Austrália (16º) e a Nova Zelândia (17º) “confirmaram o seu status como polos de atração de talentos”. Ambos os países mostram altos níveis de disponibilidade de talentos e oferecem uma qualidade de vida atrativa para profissionais internacionais.

Os EUA mantiveram a sua posição, no 12º lugar, enquanto o Canadá caiu sete posições, para 13º, devido à “diminuição da despesa pública total em educação e a um declínio geral em todos os fatores de talento”.

No Oriente Médio, Israel permaneceu na 19ª posição, seguido pelo Qatar (26º) e Arábia Saudita (29º).

Na parte inferior do ranking estão várias economias latino-americanas que “lutam para desenvolver e reter talentos”, refere o IMD. Venezuela (62º), México (60º), Colômbia (54º) e Brasil (61º) debatem-se com “problemas relacionados com a fuga de cérebros, bem como níveis relativamente baixos de investimentos em educação”.

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