Energia

Portugal e Brasil unem forças para apostar na mobilidade sustentável

É a partir desta sala, em Matosinhos, que é controlada a plataforma de gestão da mobilidade do CEiiA, o mobi.me, que está presente em mais de 70 cidades com mais de 400 mil utilizadores 
( Igor Martins / Global Imagens )
É a partir desta sala, em Matosinhos, que é controlada a plataforma de gestão da mobilidade do CEiiA, o mobi.me, que está presente em mais de 70 cidades com mais de 400 mil utilizadores ( Igor Martins / Global Imagens )

Estabelecer uma cooperação na área da mobilidade sustentável é o grande objetivo do protocolo assinado nesta quarta-feira, no CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos, entre esta instituição e o brasileiro CEPEL – Centro de Pesquisas de Energia Elétrica.

A parceria entre as duas organizações vai desenvolver-se a nível técnico, de pesquisa, desenvolvimento e inovação nas áreas da energia elétrica, mobilidade elétrica e sustentável e serviços associados, sendo que essa colaboração assentará na plataforma mobi.me, que o CEiiA desenvolveu para ligar veículos e infraestruturas e integrar diferentes sistemas de informação, e no SAGE, o Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia criado pelo CEPEL, que gere o sistema elétrico. Desta união de forças pretende-se alcançar soluções que potenciem uma mobilidade urbana mais sustentável, assim como uma indústria descarbonizada.

O diretor do CEiiA, José Rui Felizardo explica que a CEPEL tem “responsabilidade por toda a gestão da rede elétrica de alta e média tensão”, e irá dar um contributo a nível da “interoperabilidade”, que é a “capacidade de integrar os diferentes serviços de cada um dos operadores”. Trata-se de “pensar os corredores de mobilidade à escala do continente”, destaca o responsável. “Estamos a falar de toda a possibilidade de pensar a interoperabilidade na ótica e na dimensão de um continente, e isso é único à escala do desenvolvimento tecnológico na área da mobilidade. Portanto, este protocolo é uma singularidade do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico e é um espaço de grande oportunidade para os dois países”, salienta.

José Rui Felizardo adianta, no entanto, que o sistema em causa está em “fase de investigação”, estando, por isso, os investimentos em “fase de quantificação”. “Nesta altura estamos a falar de recursos humanos que as duas organizações vão disponibilizar para o trabalho nestas áreas”, especifica.

Roaming da mobilidade elétrica”

É juntar capacidades e competências”, sublinha o presidente do CEPEL, Amílcar Guerreiro. “No CEPEL desenvolvemos um sistema computacional que faz a supervisão, controlo e a gestão da energia de todo o sistema elétrico do Brasil, e este, do ponto de vista geográfico, é quase do tamanho da Europa; quase vai de Lisboa a Moscovo, em extensão, e isso casa muito bem com a proposta das plataformas que o CEiiA vem desenvolvendo”, explica.

O objetivo é “criar interoperabilidade. Hoje temos vários operadores. O Brasil tem cerca de 60 elétricas; cada uma destas elétricas funciona como um operador e vai ter um conjunto de serviços. A questão é: quando estiver em Curitiba ou em Manaus, quero usar o mesmo cartão para poder pagar o serviço, e isso tem de ser possível. Quase falamos de roaming da mobilidade elétrica, e isto é um desafio para o CEiiA e para a CEPEL”, concretiza José Rui Felizardo, do CEiiA.

São duas grandes instituições que têm muita experiência para trocar e que têm competências que se complementam no desenvolvimento de produtos”, referiu o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, lembrando que Portugal e Brasil têm “desenvolvido projetos comuns na área da energia e da mobilidade”. Também presente na cerimónia de assinatura do protocolo, o vice-ministro de Minas e Energia do Brasil, Reive Barros dos Santos, vincou que o acordo “permitirá uma maior integração e maior sinergia”.

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